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Perspectivas em Saúde

A vacinação em tempos de COVID-19

Por Gustavo Martins-Coelho



Olá!

A chegada da pandemia de COVID-19 a Portugal, no início de Março, e o crescimento intenso do número de novos casos, durante esse mês, obrigou à reorganização dos serviços de saúde, de modo a, por um lado, garantir a resposta adequada e atempada aos casos que iam surgindo e, por outro, proteger os demais utentes dos serviços de saúde.

Isso significou a criação de áreas dedicadas à COVID-19, com equipas próprias, que fazem o atendimento de todos os doentes com sintomas respiratórios, e áreas dedicadas aos restantes cuidados de saúde, como forma de garantir a separação destes dois tipos de doentes e assim prevenir o contágio em contexto de infecção associada aos cuidados de saúde [1]. Mas significou também a redução da actividade nas áreas não-COVID-19, adiando ou fazendo pelo telefone tudo o que não fosse urgente nem requeresse a presença do doente.

Houve, contudo, áreas prioritárias ou inadiáveis que se mantiveram em funcionamento, sem alterações no agendamento. Uma delas foi a da vacinação. O Programa Nacional de Vacinação tem um esquema recomendado, que segue um calendário vacinal, que não se compadece com situações excepcionais, tais como uma pandemia. A última coisa de que precisávamos, agora, era de juntar à COVID-19 surtos de sarampo, tosse convulsa ou outras doenças preveníveis pela vacinação, porque não vacinámos a tempo as nossas crianças.

O calendário actualmente recomendado pela Direcção-Geral da Saúde é o seguinte [2]:

  • À nascença, a primeira dose da vacina contra a hepatite B;
  • Aos dois meses de idade, a primeira dose contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b, a poliomielite e a segunda dose da vacina contra a hepatite B, numa vacina hexavalente, e a primeira dose da vacina conjugada contra infeções por Streptococcus pneumoniae de 13 serotipos;
  • Aos quatro meses de idade, a segunda dose contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b e a poliomielite, numa vacina pentavalente, e a segunda dose da vacina conjugada contra infeções por Streptococcus pneumoniae de 13 serotipos;
  • Aos seis meses de idade, a terceira dose contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b, a poliomielite e a hepatite B, novamente numa vacina hexavalente;
  • Aos doze meses de idade, a terceira dose da vacina conjugada contra infeções por Streptococcus pneumoniae de 13 serotipos, a dose única da vacina contra a doença invasiva por Neisseria meningitidis C e a primeira dose da vacina contra o sarampo, a parotidite epidémica e a rubéola, numa vacina trivalente;
  • Aos dezoito meses de idade, o reforço contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b e a poliomielite, numa vacina pentavalente;
  • Aos cinco anos de idade, o segundo reforço contra a difteria, o tétano, a tosse convulsa, e a poliomielite, numa vacina tetravalente, a segunda dose contra o sarampo, a parotidite epidémica e a rubéola, numa vacina trivalente;
  • Aos dez anos de idade, o reforço da vacina contra o tétano e a difteria e duas doses da vacina contra o vírus do papiloma humano, apenas a raparigas;
  • Depois disso, durante toda a vida, reforços das vacinas contra o tétano e difteria 25, 45 e 65 anos de idade e, a partir daí, de dez em dez anos, se bem que os adultos não vacinados contra o tétano podem iniciar esta vacina em qualquer idade; e as grávidas não protegidas contra o tétano devem ser vacinadas, pois, além de se protegerem, evitam o tétano nos seus filhos à nascença.

O cumprimento deste calendário é monitorizado pela Unidade de Saúde Pública, de modo a garantir o cumprimento do Programa de Vacinação e que se atingem as elevadas coberturas vacinais necessárias à imunidade de grupo, tão falada ultimamente. Felizmente, a pandemia de COVID-19 não fez baixar, globalmente falando, essas taxas de cobertura, o que é um bom sinal, de que a vacinação tem decorrido com a normalidade devida.

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