Categorias
Perspectivas em Saúde

Há muito tempo que não havia objecto do dia!

Por Gustavo Martins-Coelho



Há muito tempo que não havia objecto do dia! Para compensar essa lacuna, hoje vou falar de vários objectos com impacto na saúde pública.

Como está calor e Agosto é, por excelência, o mês das férias (ainda que, este ano, seja concomitantemente mais um mês de pandemia de COVID-19), vou começar pelo protector solar. O protector solar permite a milhões de pessoas aproveitar o sol em segurança, ao protegê-las das dolorosas queimaduras e das rugas — e, acima de tudo, ao reduzir o risco de cancro da pele.

Os protectores solares sintéticos mais antigos foram desenvolvidos nos anos 1940, mas o seu uso não se generalizou até muito mais tarde. De facto, foi em 1978 que foram introduzidos os primeiros padrões de eficácia e segurança dos protectores solares.

Nos anos que se seguiram, as empresas criaram uma impressionante variedade de inovações — algumas das quais foram substantivas, enquanto outras foram manobras de vendas. Por isso, os regulamentos a que estão sujeitos os protectores solares tiveram de ir sendo actualizados, nomeadamente no que diz respeito à rotulagem mais precisa e à normalização dos métodos de teste e comercialização dos produtos por parte dos fabricantes.

Passando ao próximo objecto, já que falamos de inovações e produtos sintéticos, falemos das fraldas descartáveis.

O impacto das fraldas descartáveis tem sido objecto de intenso debate. Concebidas nos anos 1950 por uma mãe de família do Coneticute, nos EUA, chamada Marion Donovan, as fraldas descartáveis absorvem a humidade melhor do que as de pano, protegem a pele dos bebés de assaduras e contêm a potencial disseminação de vírus que podem ser expelidos juntamente com o cocó.

Todavia, os críticos argumentam que as fraldas descartáveis são más para o ambiente, produzindo pelo menos mais setenta vezes mais resíduos sólidos urbanos do que as equivalentes de pano.

O equilíbrio é difícil de atingir, sendo necessário produzir e utilizar fraldas descartáveis de forma responsável e realizar mais investigação nas suas implicações para a saúde, de modo a poder estabelecer uma melhor relação entre o benefício para a saúde e o custo ambiental.

Continuando a falar de objectos para crianças, o berço com grades deslizantes. Este tipo de berço foi introduzido na década de 1940 e tornou-se muito popular junto dos pais, pois facilitavam imenso pegar e deitar os bebés.

Mas estes berços também se revelaram demasiado flexíveis — e perigosos. Num período de quatro anos — 2007 a 2010 — foram registados 3520 acidentes e lesões nos Estados Unidos, incluindo bebés que ficaram presos por causa de erros na concepção do berço e quedas e fracturas do crânio. De modo que, desde meados de 2011, o fabrico e a venda de berços com grades deslizantes estão proibidos nos EUA; e os novos berços têm de obedecer a uma nova lista de requisitos, incluindo materiais e grades mais resistentes.

Outra invenção que veio a revelar-se um pau de dois bicos foi o copo de transição dos bebés. Durante anos, esse tipo de copos, que evita que as crianças que estão a aprender a beber derramem a água, foi fabricado com a substância química bisfenol A, que é um componente dos plásticos de policarbonato. Porém, um estudo de 2008 exprimiu preocupação relativamente aos potenciais efeitos do bisfenol A no desenvolvimento cerebral.

Alguns pais protestaram nas redes sociais, contactaram jornalistas e organizaram fóruns na internet. Na sequência disso, muitos fabricantes deixaram de usar o bisfenol A em produtos para crianças pequenas, embora continue a ser usado noutros produtos, incluindo o revestimento interior de algumas latas de alimentos metálicas — um uso que é considerado seguro.

Para crianças mais velhas, outra invenção — chamemos-lhe assim, outra invenção — útil foi a educação física. Desde a escola primária, as crianças participam em aulas de educação física, para as manterem activas e saudáveis.

O movimento para criar uma população mais activa, nos EUA, ganhou força a partir da I Guerra Mundial, quando se verificou que um em cada três recrutas não estavam fisicamente aptos para o combate. O governo legislou no sentido de aumentar a qualidade das aulas de ginástica no país, mas a Grande Depressão impediu a generalização das aulas de educação física, de modo que, novamente, durante a II Guerra Mundial, um número embaraçosamente alto de recrutas não estava apto para o serviço militar.

Em Portugal, todos os níveis de ensino básico e secundário oferecem aulas de educação física aos seus alunos. A promoção da actividade física é cada vez mais importante, num tempo em que as taxas de obesidade infantil têm mostrado uma tendência de crescimento.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *