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Perspectivas em Saúde

Este querido mês de Agosto

Por Gustavo Martins-Coelho



Olá!

Este querido mês de Agosto é diferente de todos os que o antecederam.

Portugal tem quase 2.300.000 emigrantes espalhados pelo mundo [1], principalmente na França e na Suíça [2].

Estes números dizem-nos bastante: dizem-nos que um em cada cinco portugueses vive fora do país que o viu nascer.

Mas dizem-nos também que a saudade, essa coisa tão portuguesa, que até tem um estilo musical que lhe é dedicado [3], leva a que, no mês de Agosto, muitos desses emigrantes regressem à terra, para rever a família e os que cá ficaram.

Como todos os anos, os emigrantes são bem-vindos. Mas não podemos ignorar que este não é um ano normal e que todas as deslocações de pessoas representam o risco de levarem e trazerem consigo o coronavírus. Não é, portanto, de excluir que aumentem os casos de COVID-19, sobretudo em espaços rurais, se não observarmos à risca todas as recomendações da Direcção-Geral da Saúde [4].

As esplanadas dos bares e restaurantes vão encher-se, durante este mês, e é bom que assim seja. É bom para a economia local, é bom para os comerciantes, mas é bom também para cada um de nós. Estar fechado em casa durante demasiado tempo; anular o convívio e o contacto social, como nos foi pedido em Março e Abril, também tem custos para a saúde — sobretudo para a saúde mental. O ser humano é um animal gregário: precisa dos outros e precisa do contacto dos outros para se realizar e ser feliz.

Portanto, eu diria que sim, que este mês de Agosto vai ser um desafio. No final do mês, iremos perceber se conseguimos superar esse desafio; se conseguimos atingir o difícil equilíbrio entre a necessidade de matar saudades dos que nos são queridos, de aproveitar este bom tempo com que temos sido brindados, de ajudar a economia nacional a recuperar do embate que sofreu, por um lado, e a necessidade de manter a propagação da COVID-19 sob controlo, como tem estado até agora, permitindo ao SNS assegurar a resposta a todos os casos que se venham a confirmar, sem ocorrer rupturas no seu funcionamento, de modo a salvar o máximo de vidas possível, mas dando também qualidade a essas vidas.

Da parte das autoridades de saúde, o compromisso é o mesmo que sempre foi, desde Março: avaliar o risco a cada momento; pesar muito bem os prós e os contras de cada decisão; alertar para as consequências de cada escolha para a saúde; aconselhar o melhor caminho por entre os escolhos da COVID-19; corresponder a todas as entidades públicas e privadas que nos solicitem apoio no desenho dos seus planos de contingência; ajudar os serviços de saúde a manter uma resposta adequada e em segurança; esclarecer todas as dúvidas que nos sejam colocadas pelos cidadãos; identificar os doentes e vigiar os seus contactos de risco; e, se necessário, cá estaremos, também, para determinar legalmente todas as medidas que sejam necessárias, para proteger e defender a saúde de todos.

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