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Perspectivas em Saúde

Precauções no interior. E à porta?

Por Gustavo Martins-Coelho



Olá!

Numa altura em que a contagem de casos confirmados de Covid-19 não pára de subir, todas as medidas de precaução que se possam tomar são poucas.

A Direcção-Geral da Saúde tem emitido normas e orientações e as autoridades de saúde locais têm-se desdobrado em acções de informação, formação, sensibilização, auditoria, verificação e fiscalização em todos os locais susceptíveis de constituir situações de risco. São disso exemplo: os aeroportos e portos; as empresas; os hotéis; os lares e outras instituições de acolhimento, incluindo de crianças e jovens; todos os estabelecimentos de atendimento ao público; os serviços prisionais; os consultórios de dentistas; as escolas e as creches, bem como os centros de actividades de tempos livres; os transportes públicos; os espaços culturais e os locais de culto; as instalações e os eventos desportivos; e as empreitadas de construção civil.

Mas, mesmo que todas as orientações sejam seguidas à risca — e nós bem sabemos que não são, mas não é possível pôr um polícia atrás de cada pessoa —, resta um mundo de situações que não estão cobertas e onde o perigo de contágio pode espreitar.

Se repararmos bem, todas as orientações da DGS dizem respeito a espaços em que é possível controlar ou limitar o acesso. Isso gera um problema: se limitarmos o acesso ao interior, salvaguardando o distanciamento social e as demais precauções básicas, podemos estar a fazer acumular pessoas à porta, sem qualquer controlo. Este problema é bem visível à porta, por exemplo, das escolas — e mesmo nos transportes escolares — mas não só.

Ora bem, esta é uma questão que ultrapassa a saúde. No caso do transporte escolar, por exemplo, tem de ser cumprida a orientação da DGS, nomeadamente no que diz respeito ao uso de máscara e à redução da lotação máxima do transporte, para assegurar o distanciamento entre utilizadores e o cumprimento da legislação vigente [1]. Ora, cabe aos agentes responsáveis pelo transporte encontrar as soluções que permitam que isso aconteça. Não estou a dizer que é fácil, ou sequer barato. Mas a alternativa a este esforço é mais um ano lectivo condicionado, como o anterior; e uma sociedade que não promove a educação das crianças e a equidade no acesso a essa educação é uma sociedade cujo futuro está condenado.

Mas, mais do que as condições, que podem não ser ideais, mais do que a acção repressiva das autoridades, mais do que a lei, mais do que tudo, importa a auto-responsabilização de cada um no que à acção individual diz respeito. Tal como temos de usar máscara no interior em praticamente todo o lado, não podemos retirá-la mal chegamos ao exterior, se não conseguirmos garantir o distanciamento social adequado. Os pais têm de ensinar os filhos e dar-lhes o exemplo. Tal como temos de cumprir regras de distanciamento no interior, às vezes com marcações no chão, circuitos predeterminados, etc., não podemos chegar ao exterior e pormo-nos à conversa aos magotes, uns em cima dos outros. Ao fim e ao cabo, se estivermos a falar com uma pessoa, ela também nos ouve e responde, se estivermos a dois metros de distância.

Não podemos manter os hábitos que tínhamos, antes da Covid-19, por muito que isso nos custe. Temos de encontrar formas de levar uma vida tão normal quanto possível, tendo em conta estas limitações. Nem sempre pode ser tudo como queremos e saber aceitar isso é sinal de maturidade.

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