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Crónicas Altitude

Original ou fantoche

Por Hélder Oliveira Coelho

Acenam-se as bandeirinhas e empunham-se os cravos. O Partido Socialista amua e diz que não diz nada. Faz beicinho e reclama, como qualquer menino pequeno. Chama a si o ónus da salvação, como se nenhuma responsabilidade tivesse na situação em que nos encontramos.

Nada disto me escandalizaria se, ainda assim, o Estado de direito democrático funcionasse. Mas temos um País cuja Justiça não funciona, excepto nos decretos da ministra, que tem no decreto a varinha de condão. A Educação não existe. E, sempre que se tenta fazer algo, vem este mundo e o outro deitar fogo ao ministro. Li há dias num jornal de tiragem nacional que se recuam quarenta anos por obrigar os meninos a fazer contas de cabeça! Eu gostava de ver gente indignar-se por haver meninos a não saber fazer contas de cabeça. Isso, sim, me daria paz de espírito. A Saúde, apesar dos pesares, lá vai mostrando sinais de sobrevivência.

Não há democracia que aguente! Não há regime que se sustenha!

Se olharmos aos cem anos de República, vemos dezasseis anos de pura selvajaria e caos, em que os poucos bem-fadados foram consumidos pela impotência. Quarenta e oito anos de ditadura, repressão e atraso face a toda a Europa, em que o País foi governado como se de uma pequena mercearia se tratasse. Trinta e nove anos de engano, de mediocridade, de embuste.

Feito o resumo, olhemos para o futuro! Eu nunca acreditei em revoluções. Penso que o tempo me começa a dar razão! A História prova-me que, mais tarde ou mais cedo, todas se revelam um fiasco.

A República é um regime fantoche. Todavia, não vislumbro na mudança de regime a solução para os nossos problemas.

Urge tomar conta dos nossos destinos. Começar a ler, procurar informação sobre o nosso passado, perceber o momento que vivemos e perspectivar o futuro! Conceber um novo regime, um novo sistema, realinhar os pontos para mudar o paradigma.

Chega de lamentar o fracasso colectivo, ou alimentar o sebastianismo mumificado.

Vamos fazer o que podemos fazer, seja pouco, seja insignificante, seja até digno de piedade, mas seja alguma coisa! O importante é ser! Todos nós temos pequenos ou grandes talentos para algo, vamos esforçar-nos para que se ponham em acção. Não importa que o mundo faça troça. Importa que saibamos colher os frutos.

Se é fácil? Não, não é fácil. Mas nada na vida é fácil! Não foi fácil nascer. Não foi fácil aprender as primeiras letras. Não foi fácil aprender a comer sozinho ou a descascar a fruta. Não foi fácil aprender a andar de bicicleta, ou acabar aquele trabalho final no liceu. Não é fácil acordar todos os dias para trabalhar, ou não é fácil acordar e não ter trabalho. Nada é fácil. Mas sobrevivemos sempre.

Deixo a minha pequena nota mental… Mandem «o senhor que bate o punho» dar-lhe uso entre as loiças do seu quarto de banho. Já não aguento vendedores de banha da cobra.

Contudo… Numa coisa ninguém nos ganha… A originalidade! Mãe do conceito do desenrasca! Saibamos ser originais e ensinar o mundo a sair da crise!

2 comentários a “Original ou fantoche”

Gosto deste teu “grito de revolta” meu caro. Pergunto-me se as pessoas são cegas e não vêm o que lhes passa à frente dos olhos ou se simplesmente as ingoram. Ter deixado o país deu-me a distância necessária para poder ver e analisar os pequenos-grandes problemas que estão na génse de tantos outros não tão pequenos em Portugal. O bem que fazia se as pessoas dessem um passinho atrás e saissem do seu mundinho “perfeito” nem que seja só um passinho mental.

Caro Tiago, não será bem um grito de revolta. É uma constatação. A título de curiosidade, digo-te que o corpo desta crónica foi escrito em 2010, embora nunca tenha sido gravada. Desta vez fui apenas repescar. Ironicamente as alterações que lhe fiz foram quase estéticas, salvo uma pitada de actualidade. E sim… sair dá a dimensão mais livre da realidade.

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