Categorias
Crónicas Altitude

Saber e afectividade — a nossa responsabilidade social!

Por Hélder Oliveira Coelho

A Caritas diocesana desenvolveu, há alguns anos, um projecto riquíssimo, cujo objectivo era dar alguma raiz, algum acompanhamento a crianças, jovens e adolescentes que, por qualquer razão, tinham a sua vida mais dificultada.

Foi um projecto que, sendo encabeçado pela dr.ª Ana Quadrado, contava com uma equipa multidisciplinar, da qual tive a honra de, modestamente, poder fazer parte em alguns momentos. O que se viveu com aqueles miúdos foi, sem dúvida, de uma riqueza extraordinária para eles, mas também para os mais velhos que ali estavam.

Terminado esse projecto, ganhou-se na cidade um sentimento incomparável de completo vazio.

As respostas sociais que as escolas e as instituições estatais podem dar é limitado. Cabe muitas vezes à sociedade civil tentar colaborar com aqueles que não têm as mesmas condições de partida, para que a palavra igualdade faça sentido.

A igualdade, como já disse, não está nos processos. Antes se encontra nas oportunidades. Todos sabemos que a escola pública não tem capacidade para dar resposta a todas as dificuldades inerentes aos contextos sociais e familiares que alguns miúdos apresentam. O contexto faz o indivíduo.

Assobiar para o ar e acenar com a caridadezinha de algibeira são motes tranquilizadores das consciências preguiçosas. Urge tomar medidas para que os tempos livres de muitos dos nossos jovens não se entreguem ao ócio e ao disparate. Nasce o primeiro passo para a delinquência.

O universo dos afectos não é valorizado o suficiente. Não por culpa das famílias, que, muitas vezes, se vêem limitadas no que podem oferecer aos seus meninos. Nem por culpa das escolas, que não são um centro com especial orientação para trabalhar esse lado do ser humano. Embora justiça seja feita aos professores e comunidade escolar no trabalho notável que se faz.

O papel da família e os novos modelos de família conduzem a um maior risco de défice de abraço.

Pensarão:

— Este queimou os fusíveis de vez.

É possível que sim, não nego. Mas estou convicto de que muitos problemas que diariamente enfrentamos, na sociedade, se prendem com um terrível e tenebroso défice de abraço, de carinho, de afecto. A sociedade industrializada não oferece tempo, nem espaço para que o ser humano seja Humano! É mais fácil enviar uma sms dizendo que se gosta, do que agarrar na mão de um amigo e dizer o mesmo. Dar aquele abraço, ou momento de partilha. O sorriso ou a lágrima. A angústia ou a alegria!

A par com o saber, os valores de partilha e de solidariedade têm de estar integrados na vida de um jovem. A ciência, o esforço, a determinação, o rigor aliados à afectividade e à solidariedade. Deixo o apelo a todos para que se arregacem as mangas e se colmate esta grave lacuna na Guarda. No que me diz respeito, estou à distância de um clique.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *