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A era de ninguém

Por Hélder Oliveira Coelho

Começo na velha máxima que povoa o discurso dos Homens de boa-fé. Vivemos tempos difíceis pela crise de valores que a era pós-moderna condiciona!

Estamos na Era de Ninguém. Purgamos pecados de um tempo que não é nosso. Fermentamos a seiva nefasta do poder, o veneno hediondo da mediocridade.

Diz-se que há uma geração perdida. Na verdade, há várias. A que me antecede pode orgulhar-se de ter destruído o espírito de solidariedade e partilha que restou da transformação do mundo pós Segunda Grande Guerra.

A geração que agora está nas escolas será empurrada para uma vida muito pior do que a dos nossos avós. O paradigma da Velha Europa não tem qualquer resposta para estes jovens. Mas a verdadeira geração perdida foi a que me antecedeu. Esses vermes miseráveis que têm governado o nosso mundo. Essas criaturas viscosas que se alimentam da sua própria seiva. Essa embriaguez de egoísmo em que andaram, a sede de dinheiro e de poder. Gente que foi carregada ao colo por uma geração de pais sofridos e angustiados por uma vida de miséria. Aos seus meninos, quiseram deixar um mundo melhor, todavia criaram esses seres de má índole. Essas miseráveis criações da miséria de outrem não conseguiram mais do que hipotecar o nosso futuro. Nunca, como nas últimas décadas, se quis empurrar para outros o preço do bem-estar de alguns.

O serviço público, a coisa pública, a política assumiram-se como leito de hedonismo interesseiro e a prazo. Fazer uso do que deve servir o bem comum para obter a sustentação pessoal. Hoje, ainda estamos pejados desses vampiros da vulgaridade. São novos demais para os fazermos desaparecer, mas velhos demais para esperarmos deles algo de novo. Enquanto viverem com um laivo de poder, secarão tudo o que à sua volta existir para alcançar o seu reinado de poder sob um deserto de valores.

Anseio pelo dia em que os poucos justos que resistirem a esta caçada criminosa a que assistimos possam tomar o poder.

Os peixes que se comem uns aos outros… Padre António Vieira, como sempre, actual.

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