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Fim de festa… ou o estado a que isto chegou

Por Ana Raimundo Santos

Na última semana e meia, o País tem vivido num reboliço de incerteza política e financeira, em virtude das trapalhadas dos nossos governantes. Eles fazem birra, juram a pés juntos que vão partir para não mais regressar, batem com a porta e dizem que acabou de vez. Depois, de forma sorrateira e dissimulada voltam atrás e tentam entrar pelo buraco da fechadura sem que ninguém dê por eles.

No meio deste verdadeiro circo (perdoem-me os artistas circenses, cujo trabalho respeito e admiro) de faz de conta em que se tornou o nosso País, nos últimos dias, já era altura de pôr ordem na companhia e tentar chamar à razão os palhaços de serviço, digo políticos, e, para tal, o senhor Presidente da República dirigiu-se ao país na noite de 10 de Julho.

O discurso de Cavaco Silva [1] tem uma mensagem subliminar muito clara — atrevo-me a dizer demasiado óbvia até — para os políticos dos partidos do arco da governação. Ou se entendem, ou então a economia do País colapsa e os Portugueses vão perceber que uns e outros são incompetentes e só olham para o próprio umbigo (ainda estou a tentar perceber esta ameaça encapotada… será que alguém ainda acredita na seriedade destes tipos?). Claro que a linguagem utilizada pelo senhor Presidente não foi tão prosaica como esta, mas a verdade é que foi exatamente isto que, na minha humilde opinião, quis dizer.

Ao centrar a tónica do discurso na responsabilidade e responsabilização de governantes e políticos, Cavaco Silva chamou à colação um dos principais defeitos, se não o principal, da classe política portuguesa — o chamado «sacudir a água do capote» — e, perante este discurso do Presidente, a única coisa que os ditos senhores podem fazer é tentar entender-se e criar um governo de «salvação nacional». E, aqui, começam os verdadeiros problemas: por um lado, todos querem sair bem na fotografia e triunfar como salvadores da pátria; por outro, ninguém quer dividir o protagonismo com quem quer que seja.

Resultado? Novo imbróglio político: um governo de salvação nacional seria algo louvável do ponto de vista moral e ético mas, ao mesmo tempo, impraticável quando temos políticos como os nossos.

Solução? Chamar a velha guarda (Guilherme d’Oliveira Martins, Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Lobo Xavier) para pôr ordem na tenda e tirar estes garotos mal comportados do comando dos destinos do nosso País.

Todavia, para que tal fosse possível seria necessário reunir algumas condições, sendo a primeira e principal convencer as figuras mencionadas a colocar o pescoço no cepo por este País e por este povo que, de uma forma ou de outra, tão pouco respeito demonstraram já pela sua atuação política. Sem que esta condição fosse satisfeita, todas as outras que pudesse elencar ficariam sem efeito.

Diz-se que o povo tem os governantes que merece, e já na antiga Roma existia um General que dizia que «há, na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho: não se governa nem se deixa governar!». Se já os Romanos diziam isto de nós, que políticos podemos esperar ter quando, após tantos séculos, existe a sensação de que a única coisa que foi mudando foram mesmo as moscas?

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