Categorias
O Muro das Lamentações

A evolução da dívida pública portuguesa entre 1980 e 2012

Por Gustavo Martins-Coelho

Tudo começou com uma imagem do Duarte Marques no Facebook [1]. Como sempre me ensinaram que é feio mentir, decidi repor a verdade dos factos aqui na «Rua da Constituição» [2]. Um ano volvido, esse meu artigo é o segundo mais visto de sempre neste blogue, pelo que achei que estava na hora de actualizar os dados com o balanço de meio mandato da coligação que treme e não cai [3]. É muito simples: a dívida, que, no último gráfico, se encontrava nos 110,9% do PIB em Junho de 2012, está, um ano depois (em Junho de 2013) nos 126,9% e é provável que, no final do ano, venha a situar-se algures entre os 126% e os 132% do PIB. É o ritmo de crescimento mais rápido da dívida pública desde os tempos difíceis que levaram à intervenção do FMI em 1983!

Muitas das conclusões oferecidas por esta imagem já foram descritas no artigo do ano passado [2]: analisando a evolução da dívida entre 1980 e 2008 separadamente da sua evolução de 2008 para cá (dado que esse ano marcou a extensão da crise económica mundial a Portugal), verifica-se que, no primeiro período, o único governo que diminuiu a dívida pública era do PS, o governo que menos a fez crescer era do PS, e os governos que mais a fizeram crescer eram do PSD (coligado com o CDS e o PPM); de 2008 até ao presente, o crescimento da dívida durante o período de governação do Sócrates foi, ainda assim, um pouco inferior ao do actual Governo.

Dois anos depois das últimas eleições legislativas, parece avolumar-se a evidência de que, se o objectivo principal deste Governo era reduzir, ou, pelo menos, controlar a dívida pública, a estratégia seguida está a falhar estrondosamente. Os sacrifícios estão a ser em vão; porquê continuar?

17 comentários a “A evolução da dívida pública portuguesa entre 1980 e 2012”

Queria te dar os parabéns pelo texto e pelos números.
Mas tenho uma questão: Será eu podemos confiar nos números antes de 2008? Quantos milhões de dívida pública estariam escondidos em empresas públicas?

Para além dos milhões da dívida pública escondidos, há os milhões de encargos que o governo PS assumiu para o futuro, basta ver as PPP, Uma coisa é certa, nos últimos 16 anos até 2011, ou seja, o ano da intervenção do FMI, 13 foram de governação socialista e 3 de governação social democrata. E os últimos 6 anos seguidos antes da intervenção do FMI foram de governação socialista. Será que foram estes 3 anos de 2002 a 2005 que nos levaram à banca rota e os outros 13 que nos evitaram mal maiores. Parece-me difícil.
No entanto numa coisa concordo, todos andaram a viver acima das possibilidades e a governar, como se diz na minha terra, com os “pés”. Mas não misturemos as coisas.

Tudo que refere no seu comentário está enviesado e merecia uma resposta. Mas como é despropositado tendo em conta o tempo decorrido, não vou gastar o meu. Porém lembro: a dívida continua em 130% do PIB (desde Junho de 2011 aumentou 36%); os portugueses estão mais pobres, já que lhes cortaram no rendimento; e pior, o país definhou graças ao desinvestimento através da venda do investimento dos governos anteriores (a partir de 1995)… Viva o PPD!…

Apenas para informar os leitores deste blogue que o UNICO motivo que a divida estabilizou na altura de socrates foi por causa da entrada de Portugal no euro e que a bolsa nacional foi manipulada pelos poderes economicos europeus. Obrigado e continue o bom trabalho,,

Que grande aldrabice! a dívida no final de 2004 eram 62,5% do PIB e não 66%. O governo socialista começou a governar em Março. No fim de 2011 a dívida eram 108% do PIB e o governo socialista saiu do poder em Junho mas foi com o orçamento de estado e o memorando que se governou a segunda parte de 2011, mas é bom lembrar que na segunda parte de 2011 asw reduziu o deficit de 8,3% do primeiro semestre, o tal do superavit que afinal era um buraco de 4 mil milhões. Já no fim de 2013 a dívida estava em 129% do PIB, mas não só o PIB tinha regredido quase 6% como no novo método de contabilização estava por exemplo a dívida escondida nas empresas públicas, os 12 mil milhões do resgate à banca, e a folga orçamental que garantirá o funcionamento público até 2015, já para não falar de todas as crateras que foram aparecendo, dos SWAP aos contratos paralelos das PPP, do crescimento das surpresas com o BPN às dívidas às farmaceuticas. O facto é que em 2011 a dívida cresceu 23 mil milhões, tal como já tinha crescido nos anos anteriores sempre na casa dos 20 mil milhões, e em 2013 cresceu só 7 mil milhões.

Caro Gustavo Martins Coelho, tem que ir novamente à escola aprender a interpretar gráficos. O que está nesse gráfico acima é que até 2004 a dívida manteve-se abaixo dos 60% do PIB, conforme acordado pelo Tratado de Maastricht. Após 2008 disparou significativamente com o excesso de investimentos feitos em grandes obras públicas. Como foi necessário pedir €. 71. mil milhoes de Euros à TROIKA, fornecidos em diversas tranches, porque o país se encontrava na banca rota, a dívida teve obviamente que continuar a subir durante o governo Passos Coelho. Agora que se saiba, este governo ainda não fez nenhum investimento em grandes obras públicas…

Seja como for, os dados do gráfico, que são de certeza verdadeiros, pois a PORDATA é de uma fiabilidade inquestionável e quem lá trabalha são licenciados a sério e não pseudo-doutorzecos que compraram o seu diploma numa universidade privada qualquer (situação muito comum nos jovens licenciados), ilustram bem o mau trabalho que tem sido feito, desde 2008 até à presente data. Se bem que, sem sombra de dúvida, os senhores Guterres e Sócrates sejam os principais responsáveis pelo estado a que o país chegou (não esqueçamos também Mário Soares), o trabalho de Durão Barroso, Santana Lopes e Passos não foi brilhante.

O Sr. Guterres não é responsável de nada, aliàs enquanto foi 1º Ministro a dívida manteve-se abaixo dos 60% do PIB como acordado em Maastricht. O aumento acentuado e descontrolado da dívida começou nos governos Sócrates…

É muito triste verificar a influencia partidária em cada comentário efectuado. Sejamos realistas e principalmente honestos!!!…

Cada um tem a suas tendências partidárias, mas os gráficos não mentem nem foram adulterados. O desrespeito pelos acordos assinados em Maasttricht com a divída pública a disparar a partir de 2008 aconteceu durante os governos Sócrates… há que assumir…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *