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Obrigada, Francisco!

Por Ana Raimundo Santos

Quando, em 13 de Março do ano que está prestes a findar, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio foi eleito pelo Conclave para ocupar o trono de São Pedro, tornando-se no Papa Francisco [1], sorri de alegria. De há uns anos para cá, não muitos, confesso, que acompanho a obra edificada na verdadeira caridade e humildade cristãs e católicas.

Um homem discreto, simples e, acima de tudo, humano. Bergoglio, ou Francisco, como preferirem chamar-lhe, teve a sorte de ter sido eleito apenas agora em 2013 e não no Conclave de 2005, que elegeu o Papa Bento XVI [2], figura incompreendida por muitos, mas, na minha modesta opinião, um homem duma inteligência e sabedoria notáveis. E por que digo que Francisco teve sorte? Porque, sendo eleito imediatamente após o pontificado do Papa João Paulo II [3], seria sempre um Papa de transição, que apenas por um verdadeiro milagre conseguiria igualar-se ao seu antecessor.

O pontificado de Bento XVI foi breve e serviu para que os católicos ansiassem por um novo homem do povo, humilde, caridoso e humano. Não que Bento XVI não o fosse, mas a sua educação germânica jamais lhe permitiria as demonstrações protagonizadas por Wojtyła durante o seu pontificado, e as até agora realizadas por Bergoglio desde que foi eleito.

Os católicos ansiavam, o Conclave acedeu, e Francisco é, sem sombra de dúvidas, o rosto da esperança de que a Igreja Católica necessitava urgentemente há tantos anos. Neste sentido, foi sem grande surpresa e com muito agrado, que recebi a notícia da eleição do Papa Francisco como personalidade do ano de 2013 pela revista Time. No seu artigo sobre a escolha do Papa Francisco [4], Nancy Gibbs faz um périplo pelos nove meses de pontificado que Francisco já exerceu até agora, demonstrando a nobreza de espírito, o despojamento e a humildade deste homem de Deus que está a conseguir devolver a fé perdida a muitos católicos.

Mas o trabalho de Francisco ainda agora começou. Os temas fraturantes no seio da Igreja ainda não foram discutidos de forma séria e detalhada e a popularidade do Papa junto dos fieis ainda será colocada à prova inúmeras vezes. Ainda assim, mesmo não tendo ainda passado no crivo das discussões polémicas e problemáticas que podem aproximar ou afastar a Igreja Católica da modernidade e da realidade que é a vida dos católicos, Francisco já merece a eleição como personalidade do ano de 2013 porque, apenas em nove meses, já desenvolveu um trabalho admirável no seio da Igreja e conseguiu devolver-lhe a ela e aos seus fiéis algo que parecia impossível: fé e esperança numa Igreja mais caridosa, menos ostensiva e mais próxima de quem verdadeiramente precisa dela. Só por isso, ao Papa Francisco, os meus mais sinceros parabéns e o meu sentido muito obrigada!

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