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Crónicas Altitude

Ao meu liceu…

Por Hélder Oliveira Coelho

A Escola Afonso de Albuquerque [1], para muitos apenas «o Liceu», está rejuvenescida até à alma.

Ainda que possa ser discutível a intervenção que foi feita pela Parque Escolar, sobre isso nada direi. As paredes são o que menos importa. De uma escola, importa o que a faz viva, a gente que nela habita. Alunos, professores, auxiliares, pais…

Se há quem tenha a obrigação de alimentar o corpo, à escola cumpre alimentar a alma. Sem dúvida, esse é o propósito final da escola. Nenhuma sociedade pode sonhar crescer sem que a alma do seu povo seja forte, robusta, evoluída, esplendorosa, resplandecente. A alma que aglutina em si o conhecimento das gerações e a esperança num futuro melhor. A alma que reúne os valores universais que conduziram ao sucesso da nossa sociedade e à evolução da espécie humana.

Só a escola pode garantir que todos têm oportunidade de alimentar a alma! É importante, aliás, é fundamental que toda a sociedade, toda a comunidade esteja atenta ao que acontece na escola. A comunidade deve ser parte integrante da Escola. Devem viver lá alunos, professores, auxiliares, pais e toda a comunidade. As cidades devem ter o seu motor de ignição nas escolas. Uma rampa de lançamento para serviços, indústria e ciência de qualidade.

Disse-me há poucos dias uma querida amiga que quem quer mudar o mundo não milita um partido político, antes é professor.

O Liceu organizou um desfile de moda solidário: «Vestir os valores». Contou com a mestria da organização da dr.ª Luísa Fernandes e o apoio de toda a comunidade. A Direcção da escola deu o suporte; os alunos, professores, auxiliares e sociedade civil deram o corpo e a alma por uma ideia, por um momento de partilha! As portas do Liceu abriram para deixar entrar um abraço quente e solidário.

A iniciativa foi um sucesso. Merece ser enaltecida, recordada, divulgada e fundamentalmente, repetida. A escola é o ponto de encontro de toda uma comunidade. O espaço que, sendo de todos, por todos deve ser amado e cuidado. Cuidado na forma e nos conteúdos, cuidado nos princípios e nos valores em que assenta.

Este não foi um evento isolado. É a prova efectiva de que educar é um processo em que todos devemos estar envolvidos. Parabéns!

Em contraste, e porque a vida é um carrossel, alguém terá achado por bem fazer uso dessa metáfora neste Natal. Como cidadão livre desta cidade, fico grato por isso. Nunca uma metáfora foi tão bem empregue. Entre isso e uma bola em tupper ware paga a peso de ouro em frente à Sé, talvez a metáfora do carrossel seja de mais fácil compreensão.

Atentemos então: uma bola hermética, pensada para que num espaço exíguo se tenha a ilusão que se é feliz e próspero, como em qualquer conto-de-fadas, mas que, ao fim do dia, como a carruagem da Cinderela, se transforma em abóbora, das que saem bem caras.

Em contraste, um carrossel onde burros, póneis, girafas são montados numa corrida interminável, em torno de um mesmo eixo, que não leva a lugar algum.

Acho que estamos mais próximos dessa realidade do que da bola.

Eu entendo que, se houvesse oportunidade, talvez fosse melhor fechar toda a gente num tupper ware gigante para não incomodar.

Mas, convenhamos, brincar no carrossel tem muito mais graça.

Nem vou perguntar quanto custou e qual foi a empresa que ganhou com a ideia maravilha. Mas agradeço que façam chegar o contacto, não vá eu querer manter as crianças entretidas e precise de instalar uma coisa daquelas na sala de estar lá de casa. Sempre é mais quentinha do que as ruas da cidade da Guarda, quando toca a andar às voltas no mesmo sítio!

E se esta gente da autarquia sabe como andar sem sair do lugar. Criar a ilusão de que já se calcorrearam quilómetros. Bem-hajam por existirem, os senhores alegram os meus dias! A minha vida não seria a mesma sem os bobos da corte. Não creio é que todo o império vos fique grato de igual forma. Em regra, o povo não gosta que se divirtam à sua custa.

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