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O fim do mundo

Por Hélder Oliveira Coelho

Os dogmas de fé, bem como as profundas discussões doutrinais e ecuménicas, ganham agora um novo plano de debate. Ouvi a referência a um comunicado do Vaticano [1], que constata o facto do Santo Padre ter mais seguidores nas redes sociais do que… atente-se bem… Justin Bieber!

Não se trata de qualquer outro líder religioso ou político mundial. Não se trata de um filósofo ou pensador. A Igreja já compete pelas atenções de um líder da libido pop das adolescentes.

Enfim… os dogmas de fé do mundo contemporâneo. Sinto-me um novo homem depois de saber isto.

Não admira que digam as más e algumas boas línguas também que o mundo acaba hoje [a].

Não posso deixar de mostrar o meu desagrado, por várias razões. Antes de mais, um desrespeito grande por quem já comprou as prendas de Natal e eventualmente organizou a festa de Ano Novo. A vida está difícil e não se pode gastar dinheiro em vão. Se o mundo calha a acabar mesmo, lá se vai o investimento.

Por outro lado, não me parece justo que o mundo acabe e eu não tenha direito a dispensa de serviço. Afinal de contas, o mundo não acaba todos os dias, creio que merecia esse miminho por parte da minha entidade patronal.

Aproxima-se o Natal. Época de esperança, em que os desejos de prosperidade se multiplicam. Há dias, em conversa com amigos, alguém me dizia odiar o Natal por se tratar do único período do ano em que os ricos podem ostentar sem parecer deselegantes, e os pobres sofrer em silêncio as carências. Ainda que possa concordar que este seja um dos factores que desvirtuou o conceito de Natal, creio que a visão alargada e profunda do que significa esta época deve estar sempre presente. O momento de amor, de paz, de partilha, de perdão, de família. O renascimento e o estreitamento dos laços que unem quem se ama. Assim seja a cada Natal.

Neste ano tão difícil e conturbado, quero deixar uma palavra de conforto e um abraço amigo para quem se encontra desempregado. O tom banal, quase leviano, com que a palavra é empregue retira por completo o sentimento de profunda injustiça e sofrimento que existe em quem quer trabalhar e não consegue. Faço votos para que no ano que aí vem, novas soluções possam surgir.

Votos de um feliz e santo Natal.


Notas:

a: Esta crónica foi originalmente difundida na Rádio Altitude [2] em 21 de Dezembro de 2012. (N. do E.)

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