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Crónicas Altitude

Por onde jazem os paradigmas da sociedade moderna?!

Por Hélder Oliveira Coelho

O que será feito da curiosidade fervilhante dos adolescentes?! O que será feito da irreverência contestatária?! Por onde caminhará o espírito crítico dos nossos jovens?!

Recebi dois amáveis convites para participar em actividades em dois liceus do distrito [1]. Aceitei prontamente, grato pela consideração e ansioso por enfrentar os bancos da escola.

Estou de certo modo habituado a um conformismo português generalizado. Uma reminiscência cinzenta do que muitos entendem ser idiossincrasia portuguesa. Eu, que achava Teixeira de Pascoaes um chato — certamente, um bom homem, mas, ainda assim, um chato —, começo a convencer-me de que talvez ele tenha entendido mais de nós do que alguma vez imaginei.

Na faculdade, há já algum tempo que me incomoda o unanimismo vigente. Os alunos, cada vez mais, assumem uma postura passiva face ao que se diz. Quando existe actividade, acontece de forma mecânica e regular. Sem tempero ou crítica.

O objectivo é percorrer a corrida de obstáculos, em que cada exame é uma barreira a ultrapassar. A finalidade é chegar ao fim. Cortada a linha da meta, por certo haverá um vazio sepulcral na vida destes jovens. Culpa do desemprego, dirão. Verdade que também é culpa do desemprego. Todavia, não será apenas isso. Estamos a instruir os nossos jovens, mas estaremos mesmo a prepará-los para a vida?! Terão eles capacidade para enfrentar a vida?!

E o gosto, a espontaneidade do sorriso maroto de quem rejubila com o perigo, com o desconhecido?! Onde está? A atitude desafiadora, irreverente, proactiva, por onde pára?!

Visitei duas escolas. Em realidades distintas do distrito. Jovens adoráveis, educadíssimos, com sentido de humor e algum sentido estético. Mas com uma quase ausência de sentido crítico. Não diferem muito de grande parte dos alunos universitários. O que não me espanta, o que os separa desse patamar são poucos meses.

O que me consome não é a passividade. É certo tratar-se de um pecado grande. Mas a ausência de espírito crítico assusta-me.

Há quanto tempo estaremos a falhar na educação dos jovens?! Há quando tempo estaremos a falhar na educação do País?! Há quanto tempo fazer uma pergunta, ter uma dúvida, pensar de forma diferente passou a ser pecado?!

Por onde jazem os paradigmas da sociedade moderna?!

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