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Cobardia hipócrita e preconceituosa

Por Ana Raimundo Santos

A co-adopção por casais homossexuais tem andado nas bocas do povo nos últimos dias. Muito se tem discutido este assunto, como se estivessem em causa coisas banais, mas não estão. Do que se trata aqui é de algo muito simples e igualmente delicado: o direito de uma criança a ter uma família.

São muitas as vozes que se levantam para dizer que um casal de pessoas do mesmo sexo não poderá dar a uma criança uma família dita normal. Muitos são os tolos que afirmam que uma criança que seja criada por um casal homossexual terá uma orientação sexual igualmente homossexual. Outros levantam-se para afirmar que uma família é constituída por um pai e uma mãe, e não por dois pais ou duas mães.

E para todos tenho apenas uma pergunta: afinal, o que é uma família?

Na minha modesta opinião, uma família é formada por um grupo de pessoas que partilham não só um laço genético mas, acima de tudo, um laço afectivo que as une mais do que qualquer pedaço de ADN partilhado.

Então, quais os porquês desta discussão estéril sobre a co-adopção por casais do mesmo sexo, e da necessidade de se fazer um referendo acerca do assunto?

Para mim, a resposta é simples: pura falta de coragem política para aprovar uma lei que apenas vai tornar legal uma realidade existente há muitos anos. A hipocrisia política é mais do que muita, também. A verdade é que a adopção singular ajuda a contornar a lei, e existem inúmeras famílias, alegadamente monoparentais, nas quais a criança adoptada tem duas mães ou dois pais.

E qual é o problema, se o mais importante para o crescimento de uma criança é o amor que lhe é dado e ensinado pelos pais?

O problema é a mente preconceituosa de algumas franjas poderosas da nossa sociedade, que teimam em não querer perceber que é inquestionavelmente melhor, mais saudável e mais justo para uma criança crescer no seio de uma família que a ama e que pode proporcionar-lhe um futuro, seja qual for a sua «composição», do que numa instituição, na qual cresce como apenas «mais uma», onde não sabe o que é crescer com amor dedicado e onde as suas hipóteses de ter um futuro melhor estão, à partida, coarctadas pelo destino que lhe está traçado.

Chamem-me o que quiserem, que eu não me importo, mas, mais importante do que a orientação sexual de quem adopta, é a capacidade de amar e de educar uma criança, preparando-a para a vida e ensinando-lhe os valores de família e amor que numa instituição serão sempre transmitidos de forma parca e insuficiente, em virtude das características inerentes àquela realidade.

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