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Manifesto contra os talheres de peixe

Por Gustavo Martins-Coelho

Não sei quem inventou os talheres de peixe, mas, quem quer que tenha sido, escusava — mesmo — de tê-lo feito.

Decerto já toda a gente passou pela mesma triste situação de não conseguir partir o peixe com os talheres, porque aquilo não corta nada e o peixe nem sempre é tão mole quanto isso (desconfio que alguns eram bem capazes de puxar uma carroça, ao contrário do que diz a sabedoria popular). O resultado, geralmente, é peixe desfeito. Douradinhos.

Quando avançamos para os moluscos, como o polvo ou as lulas, que, supostamente, também fazem parte desse maravilhoso mundo que, em culinária, se designa genericamente por «peixe», é a desgraça absoluta. Ele é pernas para um lado, ventosas para o outro, o raio do bicho a esfiar por tudo quanto é sítio, menos pela linha de corte que queríamos imprimir com a faca.

Além disso, há a questão do acompanhamento. As batatas e as cenouras cozidas ainda se cortam bem, e não há nada que saber relativamente ao arroz. Mas as couves… Bem, cortar um talo de couve com uma faca de peixe é missão para tirar do sério até o Dalai Lama!

Para terminar, e porque a minha implicância não se esgota nas facas de peixe, falemos dos garfos. Afinal, por que motivo são os garfos de peixe diferentes dos de carne? Há alguma razão particular para os dentes do meio serem mais curtos e para existirem aquelas duas reentranciazitas dos lados? Se sim, gostava mesmo de saber qual é.

0 comentários a “Manifesto contra os talheres de peixe”

Segundo consta as facas de peixe foram comercializadas após um erro de produção fabril com as vulgares facas de carne. Talvez advenha daí a sua inutilidade. Hoje em dia chama-se a isto empreendedorismo 🙂

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