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A parva da Geração Parva

Por Isabel Stilwell (Destak, 17.II.2011) [1]

Acho parvo o refrão da música dos «Deolinda», que diz:

Eu fico a pensar,
que mundo tão parvo,
onde para ser escravo
é preciso estudar.

Porque, se estudaram e são escravos, são parvos, de facto. Parvos, porque gastaram o dinheiro dos pais e o dos nossos impostos a estudar para não aprender nada. Já que aprender, e aprender a um nível de ensino superior, para mais, significa estar apto a reconhecer e a aproveitar os desafios e a ser capaz de dar a volta à vida.

Felizmente, os números indicam que a maioria dos licenciados não tem vontade nenhuma de andar por aí a cantarolar esta música, pela simples razão de que ganham duas vezes mais do que a média e 80% mais do que quem tem o ensino secundário ou um curso profissional.

É claro que os jovens tiveram azar no momento em que chegaram à idade do primeiro emprego. Mas o que cantariam os pais que foram para a guerra do Ultramar na idade deles? A verdade é que a crise afecta-nos a todos e não foi inventada «para os tramar», como egocentricamente podem julgar; por isso, deixem lá o papel de vítimas, que não leva a lado nenhum.

Só falta imaginarem que os recibos verdes e os contratos a termo foram criados especificamente para os escravizar, e não resultam do caos económico com que as empresas se debatem e de leis de trabalho que se viraram contra os trabalhadores.

Empolgados com o novo «hino», agora propõem manifestar-se na rua, com o propósito de «dizer basta». Parecem não perceber que só há uma maneira de dizer basta: passando activamente a ser parte da solução. Acreditem que estamos à espera que apliquem o que aprenderam para encontrar a saída. Bem precisamos dela.

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