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A quinta-essência do romantismo

Por Gustavo Martins-Coelho

Estou farto de pessoas que acham que sabem Inglês. Por que é que as pessoas teimam em escrever em Inglês, quando não sabem? Línguas estrangeiras, no geral. Não é porque usas o Google Translate que te tornas poliglota. Normalmente, tornas-te um idiota. Mais uma rima sofrível a lembrar-me de que não sou poeta [1].

E o Português? Por que é que as pessoas dizem «e etc.»? Et caetera já inclui uma conjunção. A sério: não escrevam. Falem. Ou calem-se mesmo… Às vezes, pergunto-me se sou eu que não falo Português correctamente ou se esta gente é simplesmente estúpida.

A medicina é um desastre linguístico. Não sei quem inventou a palavra «motilidade», mas era sem dúvida um enorme ignorante.

Se cada um der o seu significado aos estímulos comunicacionais, qualquer interacção humana se torna impossível. Temos de ter regras de comunicação comuns. A quantidade de analfabetos era muito superior no passado. Os analfabetos não escreviam porque não sabiam e pronto. Hoje em dia, aprende-se, mal, a ler e a escrever, e já se acha que se pode ser escritor. Com o tempo, as frases tornam-se parágrafos e os parágrafos textos.

Um tipo que usa a palavra «longanimidade» sem titubear merece todo o meu respeito!

Mas, a sério, o tipo que escreve as letras d’«Os Azeitonas» não perdia nada em consultar um dicionário, ocasionalmente. Por exemplo, para descobrir o significado da palavra «espadachim» [2]. Os aviões são o exemplo perfeito de como se pode pegar numa construção musicalmente agradável e destruí-la liricamente. Há por aí alguma mulher que entenda ir com o seu homem «ver os automóveis à avenida a rasgar as curvas, queimar pneus» como a quinta-essência do romantismo!? Ainda por cima, para aparafusar os pneus à métrica, há que fazê-los dissilábicos, acabando a queimar peneus!

Ouvi, ou li, não me lembro bem, que «as mulheres se apaixonam pelo que ouvem e os homens pelo que vêem, por isso as mulheres se maquilham e os homens mentem.» Não sei quem foi, mas posso comprovar que é falso. Eu tenho mentido o suficiente para ter um harém repleto.

0 comentários a “A quinta-essência do romantismo”

[…] A Internet é um óptimo sítio para atribuir autores errados às citações. Mas não é a única. Ao contrário do que se pensa, a frase «life is what happens to us while we are making other plans» não é da autoria do John Lennon; este apenas a popularizou, numa canção sua, mas a frase é bem mais antiga e atribuída a um senhor chamado Allen Saunders [1]. A culpa, bem visto, não é da Internet, mas da música. Uma frase tem mais impacto, quando é cantada, do que quando é lida. É por isso que, mesmo entre as pessoas que dizem não gostar de poesia é possível encontrar apreciadores de letras de canções. E o que são letras de canções, se não poesia? Bem, quase todas [2]… […]

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