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O Fundamentalista Científico

O paradoxo da poligamia (parte II) — por que a maioria das mulheres beneficia com a poligamia e a maioria dos homens beneficia com a monogamia

Por Satoshi Kanazawa [a]

Ao contrário da crença popular, a maioria das mulheres beneficia com uma sociedade polígama, e a maioria dos homens beneficia com uma sociedade monogâmica. Isto acontece porque uma sociedade polígama permite a várias mulheres partilharem um homem de elevado estatuto. George Bernard Shaw (que foi um dos fundadores da London School of Economics and Political Science, onde eu lecciono) descreveu-o da melhor forma, quando observou:

— O instinto maternal leva uma mulher a preferir um décimo dum homem de primeira categoria à posse exclusiva dum de terceira.

Ou, como o comediante Bill Maher perguntou ao seu painel no seu programa de TV «Politically incorrect» em 7 de Janeiro de 1998:

— Você preferiria ser a segunda ou terceira mulher do Mel Gibson ou a única mulher do Willard Scott?» — ao que um dos participantes, a activista e comentadora conservadora Susan Carpenter McMillan, respondeu:

— Se se trata do Mel Gibson, eu não me importaria de ser a número um, dois, ou três.

Obviamente, isso foi quando Mel Gibson era altamente desejável. Substitua Matt Damon por Mel Gibson. As personagens mudam, numa década, mas o princípio permanece o mesmo.

Pelo contrário, a maioria dos homens beneficia com uma sociedade monógama. Dada uma razão de 50:50 entre os sexos, uma sociedade monógama praticamente garante uma mulher para cada homem, até mesmo para um de terceira categoria. Em regime de poligamia, alguns homens de terceira categoria podem não encontrar uma mulher de todo, ou, mesmo se tiverem a sorte de encontrar uma, a sua mulher não vai ser tão desejável como a que poderia conseguir em regime de monogamia, porque em poligamia, as mulheres mais desejáveis ​​ter-se-iam tornado segunda, terceira ou décima mulher de homens mais desejáveis.

As excepções a essa regra são mulheres altamente desejáveis​​, que beneficiam com uma sociedade monógama, e homens altamente desejáveis​​, que beneficiam com uma sociedade polígama. Uma mulher altamente desejável pode casar com um homem altamente desejável em qualquer circunstância, mas em poligamia, teria de partilhar seu marido desejável com outras mulheres, enquanto em monogamia poderia monopolizá-lo. Um homem altamente desejável pode ter várias mulheres em poligamia, mas deve limitar-se a apenas uma mulher (ainda que altamente desejável) em monogamia.

Está na natureza da distribuição estatística («curva de Gauss»), no entanto, que a maioria das pessoas não se encontrem nos extremos de ambos os lados; por exemplo, a maioria das pessoas não são extremamente altas nem baixas, mas de altura mais ou menos média. Da mesma forma, a maioria dos homens e mulheres não é nem muito desejável nem muito indesejável. Assim, a maioria dos homens beneficia com a monogamia, e a maioria das mulheres beneficia com a poligamia.

Quando os homens imaginam como seria viver numa sociedade polígama, eles imaginam-se casados com várias mulheres. O que eles não notam, porém, é que, muito provavelmente, eles acabariam sem qualquer mulher numa sociedade polígama. O casamento polígamo numa sociedade polígama está sempre limitado a uma minoria de homens. Se 50% dos homens têm duas mulheres cada um, então os restantes 50% não podem ter mulher. Se 25% dos homens têm quatro mulheres cada um, então os outros 75% não podem ter mulher. Quando as mulheres imaginam como seria viver numa sociedade polígama, imaginam-se a ter de partilhar o seu marido inútil actual com outras mulheres. O que elas não percebem é que elas poderiam estar a partilhar o Matt Damon ou o Bill Gates com outras mulheres.

Assim que começamos a olhar para as coisas através das lentes da psicologia e biologia evolutivas, elas começam a parecer-nos completamente diferentes. Algo que era previamente considerado bastante bizarro e moralmente errado, como a poligamia, começa a parecer muito natural e comum. A perspectiva também nos dá uma nova visão, como são as mulheres, e não os homens, quem mais beneficia em sociedades polígamas.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

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