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A lição do Japão para a Europa

Por Ricardo Reis (Dinheiro vivo, 4.II.2012) [1]

No contexto da História europeia, a crise actual parece mero detalhe. O Velho Continente já passou por tantas guerras, euforias e depressões, que uma mera crise económica e financeira não merece mais do que uma nota de rodapé na História europeia. No entanto, a História também ensina que é raro as pessoas aperceberem-se dos pontos de viragem na altura em que eles ocorrem.

Há trinta anos, os Japoneses estavam confiantes no futuro. O país crescia sem parar há décadas e a eficiência e a cultura japonesas eram a inveja do mundo desenvolvido. Previa-se que, em dez ou vinte anos, seria o país mais rico do mundo e os Japoneses tinham uma voz activa e respeitada na política internacional, que era ouvida com atenção em qualquer importante debate. Internamente, a bolsa estava em alta, os preços das casas subiam rapidamente e o Estado social era cada vez mais vasto.

A partir de 1991, a situação mudou. Problemas que começaram no sistema financeiro espalharam-se a toda a economia, que deixou de crescer. Os governos falharam na limpeza dos bancos, sem coragem para fechar ou recapitalizar instituições falidas. O banco central falhou por excesso de prudência, não deixando que a inflação subisse, em troca dalgum estímulo à actividade económica. Os políticos falharam em controlar a despesa pública galopante, incapazes de dizer não a qualquer grupo de interesse. Como resultado, o Japão perdeu a década de 1990 e ainda hoje está muito abaixo do ritmo de crescimento económico a que estava habituado.

Enquanto a economia teimava em não andar para a frente, o Japão deixou de ser uma potência com voz dominante nas relações internacionais. Quantos leitores sabem qual é a posição do Japão acerca das reformas do sistema financeiro internacional, do aquecimento global, ou do que fazer com a China? Das muitas intervenções militares internacionais na última década, em quantas é que o apoio do Japão foi decisivo? O Japão deixou de estar no centro das grandes decisões mundiais.

A Europa está habituada a estar neste centro. Países como França ou o Reino Unido fazem desse estatuto parte da sua identidade como nação. Mas, tal como no Japão há vinte anos, uma crise do sector financeiro mantém a nossa economia estagnada. Como no Japão de outrora, os governantes recusam-se a admitir que várias instituições financeiras estão insolventes e a lidar com esse problema directamente. Tal como nessa altura, as políticas monetária e fiscal podiam fazer muito mais.

Cimeira atrás de cimeira, mantém-se a relutância em tomar qualquer decisão corajosa e bem pensada. Mantém-se o receio de ofender este ou aquele grupo e escolhem-se sempre ajustes pequenos, na esperança de que os problemas desapareçam por si. Alguns defendem mesmo abertamente que, se forem precisos cinco ou dez anos de estagnação para corrigir desequilíbrios macroeconómicos e financeiros, talvez seja pelo melhor. O Japão mostra a consequência destas opções: por este caminho, a Europa vai em direcção à irrelevância.

0 comentários a “A lição do Japão para a Europa”

Japão-Europa (Tóquio-Estrasburgo): dois países, do Velho Mundo (a Eurásia), províncias japonesas, estados europeus, Kanagawa, Shizuoka, França, Reino Unido… tá! Chega de papo. Vamos ao assunto que interessa. Por quê esses dois países, os mais ricos do mundo, democráticos, desenvolvidos, de primeiro mundo, e os mais importantes, claro, tanto sofrem com economia estagnada há tantos anos, e continuam dessa forma até agora? Por quê o Japão (Tóquio) não mostra a cara novamente? Por quê não sai dessa situação, e volte a ser como era antes disso. Mas a Europa (Estrasburgo), mesmo com a economia estagnada (se é que é verdade mesmo), vem sendo muito focada nessa mídia europeísta dos brasileiros, que para mim é INTOLERÁVEL, por causa da ganância europeia, principalmente nos esportes, entretenimento, e outros, o que já é enjoativo. Será que no Japão (Tóquio) e na Europa (Estrasburgo) são isso mesmo, de economia estagnada, ou será uma mentira deslavada da mídia, pelo foco europeísta dela? Sinceramente, essa mídia, por ignorar o Japão (Tóquio), a Europa (Estrasburgo) devia ter sido ignorada pela própria mídia também, não é verdade? Sem graça. Mas pensando bem, japoneses e europeus, e empresas japonesas e europeias, por mim, terão que fazer a parte deles (delas), seja para o sucesso ou para o fracasso, senão, infelizmente vão ficar mesmo no buraco, o que não é nada bom para os dois lados. Infelizmente. Quanto à essa China (Pequim), que é COMUNISTA, ao contrário da Europa (Estrasburgo) e do Japão (Tóquio), por ser COMUNISTA, SOCIALISTA, METIDO A PODRE-DE-RICA, não me interessa nem um pouco, e por mim, esse país vermelho já devia estar no FUNDO DO POÇO, MUITO PIOR do que as economias europeia e japonesa. Não suporto países comunistas, socialistas, cheios de censura e ditadura do proletariado, como é o caso dessa aí, a China (Pequim) que além de ser um PAÍS FECHADO, NÃO É NEM UM POUCO DEMOCRÁTICO. Japão (Tóquio) e Europa (Estrasburgo) são uma coisa, China (Pequim) é outra, e por aí vai.

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