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Estado de Sítio

25 de Abril vs. Troika

Por Ana Raimundo Santos

O 25 de Abril de 1974 comemorou este ano quarenta anos e, durante meses, não se falou de outra coisa neste País. Desde as ideias peregrinas da Presidente da Assembleia da República de conseguir patrocinadores para as comemorações e de mandar decorar a chaimite da Associação 25 de Abril por Joana Vasconcelos [1], até às birras dos Capitães de Abril, que se recusaram a participar nas celebrações [2], muitos foram os incidentes que as envolveram. Durante semanas, o País discutiu os disparates de políticos e históricos. Durante semanas, falou-se, especulou-se, bateram-se portas e proferiram-se as maiores barbaridades, que tiveram a função de entreter o povo e desviar as suas atenções da última avaliação da Troika, da sua saída no próximo dia 17 de Maio e do que será feito do País a partir do dia seguinte.

À boa maneira portuguesa, usaram-se artifícios resultantes de uma qualquer situação histórica ou social para desviar a atenção do que, de facto, importa neste momento ao País. Importa salientar que tenho um respeito incomensurável pelo 25 de Abril, pelos homens que o levaram a cabo e por tudo o que a sua coragem representou para Portugal. Não é de desrespeito ou desconsideração que trata esta crónica, é de dissimulação e camuflagem. Mais uma vez, como tantas outras antes, como muitas mais no futuro, o poder político dedicou-se a entreter o povo com polémicas e desavenças tendentes a concentrar a sua atenção no passado, desviando-a do presente e do futuro do nosso País.

A Troika vai sair de Portugal dia 17 de Maio e, até lá, irão ser divulgadas medidas a adotar após a sua saída, que terão impacto na vida de cada um de nós. E esta é a realidade que temos. Citando um dos grandes homens de Abril, o saudoso Capitão Salgueiro Maia — «Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos!» —, importa olhar de forma atenta e cuidada para o «estado a que chegámos» e não esquecer que foi para que Portugal tivesse um futuro livre que aqueles homens marcharam com coragem sobre Lisboa e libertaram o País do jugo do Estado Novo.

Ainda a propósito das celebrações dos quarenta anos do 25 de Abril de 1974, deixo apenas uma pequena nota de apreço pela homenagem feita na Assembleia da República, ao enorme Marques Júnior, Capitão de Abril, homem de uma coragem e de um sentido de justiça incomensuráveis e sem comparação.

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