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Crónicas Altitude

A república dos Estrumpfes

Por Hélder Oliveira Coelho

A nossa democracia tem feito o esforço sobre-humano para nos ir convertendo em Estrumpfes [1]. É um exercício que aprecio, até porque, lá diz o povo, em terra de Estrumpfe, quem tem olho é rei. Eu não só tenho olho, como até uso óculos para garantir que afasto os defeitos de refracção!

Cada vez mais os discursos estão mastigados e são repetidos à exaustão, numa tentativa de nos fazer acreditar neles. Há dias, andava pela rua, tropecei, e quase matava um fadista que estava escondido atrás das pedras da calçada. Nas limpezas lá de casa, já se encontram fadistas presos até nas teias de aranha que escapam ao olho. Noutro dia, lá libertei um por piedade.

Vivi intensamente o drama do Pantera Negra. Sabia de cor a hora a que tomava o pequeno-almoço, quantas vezes tossiu e ia alternando com as transmissões em directo do Cristiano Ronaldo a escolher a roupa interior, sempre, como é evidente, com alguém perguntando, Cristiano, o que dizem os teus olhos?!

Aproveito também para fazer o que mais gosto, ensinar. Duas mesas, um chá, dois alunos, eu lá me ia dividindo. Pensei que seria um exercício difícil, um no 11.º ano, outro no 2.º da faculdade. Ensinar a níveis tão distintos seria decerto um problema. Não senti diferença alguma. Poupei no trabalho de casa.

Por todo o lado se faz o voto e a devoção ao presencialismo. O que importa é estar de corpo presente, marcar passo! Pouco importa se trabalhamos bem ou mal, desde que se cumpram as quarenta horas de serviço. Permitir acumulações entre público e privado, isso nunca… Morte a esses capitalistas burgueses! Deixemos portanto o público entregue aos presencialistas… Os que marcam o ponto e estão… não fazem… só estão… como está este País de Estrumpfes a caminhar para o abismo!

Deixo a minha nota final, não se entenda por ameaça, antes por aviso, não será assim para sempre. Dias virão em que os presencialistas serão cilindrados e, dos Estrumpfes, restarão apenas as histórias aos quadradinhos. Podemos sempre subarrendar isto aos Alemães, eles, inteligência emocional, não têm, mas são bons guarda-livros.

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