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Consultório da Ria

O nariz

Por Carlos Lima

O nariz situa-se na cabeça, tem uma parte visível, ou nariz externo, e uma parte interna, inserida no crânio, conhecida por nariz interno.

A parte externa é aberta para o exterior através das narinas, por onde entra o ar que respiramos. É constituída por cartilagem, que as mantém abertas em praticamente todas as circunstâncias, à excepção de traumatismos ou de esforço respiratório muito acentuado, conhecido tecnicamente como adejo nasal, muito mais evidente no bebé e criança do que no adulto. As narinas estão protegidas por uma grande quantidade de pêlos, que permitem reter as poeiras de grande dimensão, logo à entrada.

A porção interna é uma ampla cavidade no crânio, aberta na parte posterior (nasofaringe) por dois orifícios denominados coanas. É dividida em duas partes (direita e esquerda) através do septo. Esta divisão permite, em muitas circunstâncias, manter pelo menos um canal aberto. Está separado da boca pelo palato duro, na parte anterior (contém osso), e pelo palato mole, na parte posterior (apenas tecidos, músculos e a respectiva mucosa).

As estruturas do nariz interno desempenham três funções: a primeira é humidificar, filtrar e aquecer o ar; a segunda receber estímulos olfactivos (captar cheiros); a terceira servir de caixa de ressonância, para amplificar os nossos instrumentos da voz.

Possui três meatos (inferior, médio e superior), que permitem criar uma área mais ampla de contacto do ar com a mucosa muito irrigada e criar zonas de turbilhão, para aumentar o tempo de exposição do ar e, desta forma, aumentar a humidificação, a filtragem e o aquecimento do ar que respiramos.

Na camada superior do nariz interno, encontras-e o epitélio olfactivo, que está impregnado de muco, que retém as partículas carregadas com as moléculas de cheiro, permitindo-nos identificar uma quantidade significativa de cheiros. O facto de estarem na parte superior do nariz permite-lhes estarem mais livres de muco e sujidade, que vai sendo drenada para a parte inferior. Este posicionamento leva ao gesto voluntário de tentar impelir o ar para a parte superior do nariz quando estamos perante um cheiro que tentamos identificar.

O nariz interno é revestido de mucosa muito rica em vasos sanguíneos, é produtora de muco e contém pequenos pêlos conhecidos como cílios. Esta conjugação de muco e cílios retém as partículas de maior dimensão, diluindo-as e expondo as moléculas aromáticas. O movimento dos cílios impele as partículas para a nasofaringe; posteriormente, são drenadas para a via digestiva.

A perda de sangue pelo nariz (epistáxis) é um dos problemas mais comuns. Deve-se a uma irritação da mucosa, que fragiliza e expõe as veias. Também pode estar associado ao aumento da pressão sanguínea.

O famoso pingo no nariz pode ter várias origens. Quando está muito frio, deve-se aos esforços necessários para aquecer e humidificar o ar; como a mucosa se retrai pelo frio, retém menos vapor de água, que se concentra rapidamente nas narinas. Quando estamos com gripe ou alergia, a irritação da mucosa aumenta a produção de muco, que não é drenado para a garganta e acaba por sair pelo nariz. Quando choramos, tem a ver com a drenagem das lágrimas.

A sinusite tem mais a ver com a irritação dos seios perinasais, que acumulam grande quantidade de muco, perdendo parte da função de caixa de ressonância. Devido ao aumento da pressão e inflamação, pode causar dor.

O espirro é uma passagem forçada de ar para que a mucosa nasal liberte algo que está a irritá-la.

Saúde!

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