Categorias
Consultório da Ria

O fígado

Por Carlos Lima

O fígado é o órgão interno mais pesado do corpo humano, com 1,4 kg. Situa-se na cavidade abdominal, na parte superior, à direita, logo por baixo do diafragma e junto do estômago e do pâncreas. Está dividido em dois lobos principais (direito e esquerdo); estes são constituídos por lóbulos. Os lóbulos são constituídos por fileiras de hepatócitos, dispostos à volta de uma veia. Os hepatócitos produzem bílis. Entre as fileiras de hepatócitos existem capilares, chamados sinusóides. Os sinusóides são revestidos por células de Kupffer, que destroem os glóbulos brancos e vermelhos envelhecidos, as bactérias e as toxinas.

A bílis produzida nos hepatócitos é armazenada na vesícula biliar e, por processos hormonais e nervosos, é libertada no duodeno, através dum tubo chamado colédoco. A bílis é um líquido castanho ou verde azeitona; tem um pH alcalino, que ajuda a neutralizar a acidez do quimo vindo do estômago, quando se mistura com este no duodeno. A bílis é um composto de água, sais biliares, colesterol, lecitina e pigmentos biliares. Os sais biliares ajudam na emulsão das gorduras, em especial dos triglicerídeos (a emulsão é o efeito que podemos observar, quando vertemos uma gota de detergente da loiça sobre uma camada de gordura e que faz com que seja possível desengordurar a loiça). O principal pigmento biliar é a bilirrubina (responsável pela cor amarelada conhecida como icterícia no bebé). Quando os glóbulos vermelhos velhos são degradados, o ferro, a globina e o seu produto de degradação — a bilirrubina — são libertadas. O ferro e a globina são reciclados para fazer novos glóbulos vermelhos e a bilirrubina é libertada na bílis. É ela a grande responsável pela cor habitual das fezes. Na ausência de bilirrubina, as fezes são claras e brilhantes, devido à presença de gordura não digerida (emulsionada). A libertação de bílis é regulada por factores hormonais e nervosos e relaciona-se com a actividade e secreções hormonais do estômago.

A irrigação sanguínea do fígado é realizada por dois mecanismos. A artéria hepática própria fornece o sangue arterial, necessário ao suprimento de oxigénio, que é filtrado pelas células de Kupffer; a veia porta fornece sangue venoso vindo do estômago e do intestino, carregado de nutrientes absorvidos durante a digestão. A drenagem sanguínea é feita pela veia principal do fígado, que drena para a veia hepática, a qual, por sua vez, drena para a veia cava inferior.

O fígado desempenha cento e quatro funções conhecidas; falaremos apenas nalgumas das principais:

  • Metabolismo dos hidratos de carbono (açúcares) — não só pode converter glicose em glicogénio, quando o nível dos açúcares no sangue está elevado, como pode reverter o processo, quando o açúcar no sangue está baixo. Também pode converter glicose em triglicerídeos, de forma a serem armazenados sob a forma de gordura.
  • Metabolismo dos lípidos (gorduras) — degrada os ácidos gordos e armazena alguns triglicerídeos.
  • Metabolismo das proteínas — é no fígado que se produz a maior parte das proteínas do sangue, como a globina, a albumina, a protrombina e o fibrinogénio (as duas últimas relacionadas com a coagulação do sangue). Também degrada a amónia, muito tóxica para o organismo, em ureia, para ser eliminada pela urina.
  • Remoção de fármacos, drogas e hormonas — é no fígado que muitos medicamentos são activados e/ou desactivados. Não só resiste por muito tempo a intoxicações (álcool, por exemplo), como ajuda a desintoxicar o organismo. É também capaz de produzir esteróides.
  • Produção e secreção de bílis e sais biliares — já falámos previamente das funções da bílis.
  • Fagocitose ou limpeza do sangue — as células de Kupffer retêm, degradam e transformam as substâncias envelhecidas e em suspensão no sangue, como já vimos com os glóbulos vermelhos.
  • Activação de vitaminas — em conjunto com a pele e com os rins, intervém na activação da vitamina D e no aproveitamento que o corpo faz de muitas outras.

Entre as principais doenças que afectam o fígado, encontram-se as hepatites, principalmente a A (adquire-se através produtos contendo fezes contaminadas). As hepatites B, C e restantes são transmitidas por contactos com sangue e secreções sexuais. Os mecanismos de filtração do sangue fazem com que o fígado seja alvo de metástases de tumores localizados noutros locais do corpo, nomeadamente oriundas do estômago e do intestino. A cirrose resulta da destruição maciça dos hepatócitos e conduz à incompetência do fígado. Os cálculos biliares ou a colecistite (inflamação da vesícula biliar) podem conduzir à remoção da vesícula.

Devido à grande capacidade de se regenerar, o fígado recupera e recupera-nos das situações mais complicadas. O fígado não dói e só dá sinal de que existe quando as suas condições já estão muito degradadas, por isso pense na grande importância que ele tem e nas funções que desempenha…

Cuide-o e cuide-se…

Saúde!

18 comentários a “O fígado”

[…] O cloro é um macromineral [1], presente no sangue [2] e nos espaços entre as células, ou espaço extracelular. Pela capacidade de entrar e sair da célula [3], regula o equilíbrio de líquidos entre os espaços intra e extracelular. No estômago [4], é segregado pela mucosa gástrica, como ácido clorídrico, e produz a acidez necessária para a digestão e para a activação de enzimas [5]. Ajuda na condução nervosa e na eliminação dos metabolitos do organismo, auxiliando o funcionamento do fígado [6]. […]

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *