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Consultório da Ria

O ânus

Por Carlos Lima

A parte terminal do intestino grosso [1] é o canal anal. Situa-se na região pélvica e a sua abertura exterior é conhecida como ânus.

Tem um músculo esfíncter interno, involuntário, e um músculo esfíncter externo, voluntário. O recto e os ânus são muito irrigados, beneficiando da irrigação de quatro artérias: a artéria sagrada mediana e as artérias rectais superior, média e inferior. A artéria sagrada mediana é um ramo directo da aorta, o que demonstra a importância que o recto e o ânus assumem, no enquadramento das estruturas pélvicas.

A drenagem venosa é feita por veias que acompanham as artérias e recebem os mesmos nomes. A veia porta hepática assume particular importância, quando existe patologia hepática que crie aumento da pressão, podendo levar à formação de hemorróidas. A drenagem linfática é feita pelos gânglios linfáticos mesentéricos inferiores, sagrados e ilíacos internos e comuns.

A inervação é efectuada pelo nervo pudendo, que inerva várias estruturas pélvicas. A região anal possui altíssima sensibilidade, o que pode ocasionar, com grande intensidade, prazer ou desconforto.

A defecação começa no peristaltismo do sigmóide. O enchimento do recto distende as paredes e activa os receptores de distensão. Estes enviam impulso sensitivo à medula espinhal, que responde com impulsos motores, que levam ao relaxamento do músculo esfíncter interno, gerando a sensação de defecação. Como o músculo esfíncter externo possui controlo voluntário, depende da nossa vontade defecar nesse momento ou adiar a eliminação das fezes. Com a contracção do esfíncter anal externo, dá-se a contracção do músculo esfíncter interno e as fezes voltam para o sigmóide até à próxima onda peristáltica, que volta a criar a sensação cada vez mais intensa de defecar. Na criança antes dos três anos de idade, o controlo voluntário não está estabelecido e, perante o estímulo, ela tem obrigatoriamente de defecar.

Um dos problemas mais comuns do recto e do ânus é a doença hemorroidária. As hemorróidas são varizes anais; desenvolvem-se habitualmente em pessoas que passam muito tempo sentadas e que não fazem exercício ou que têm dificuldades em defecar por obstipação — intestino preso —, podendo também aparecer no caso da diarreia (por irritação), nas pessoas com patologia hepática e também, frequentemente, durante a gravidez. Quando as hemorróidas se externalizam, são extremamente dolorosas, necessitando de ser empurradas para dentro dos esfíncteres, para não ficarem estranguladas.

Outra situação dolorosa é a fissura anal, que mais não é do que uma lesão sangrante das paredes do recto ou do ânus, por passagem de fezes demasiado secas ou muito volumosas. Como o esfíncter se contrai como resposta à dor, estas tendem a não fechar, tornando-se activas e dolorosas na defecação seguinte.

Os abcessos e as fístulas perianais são mais raros, sendo geralmente necessário o tratamento cirúrgico.

Os tumores rectais podem levar a pessoa a necessitar da construção dum estoma para drenagem das fezes, após a extracção cirúrgica do tumor.

O prurido ou comichão perianal está muitas vezes associado a parasitoses, nomeadamente os oxiúros, que aproveitam habitualmente o gesto de coçar para chegar novamente à boca e causar nova infestação.

A alimentação rica em fibras, uma boa hidratação e bons hábitos de higiene e de exercício são meios eficazes de protecção do recto e do ânus…

Saúde!

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