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O Fundamentalista Científico

Para saber o que as mulheres andaram a fazer, olhe para os genitais masculinos (parte II) — O pénis

Por Satoshi Kanazawa [a]

Outro sinal fisiológico da promiscuidade das mulheres ao longo da história evolutiva é a forma precisa do pénis humano e o que os homens fazem com ele.

Esta descoberta foi feita pelo professor Gordon G. Gallup Jr. e colaboradores, da Universidade Estadual de Nova Iorque em Albany. O Gordon é um dos psicólogos evolutivos mais criativos, imaginativos e produtivos que existiram. Por exemplo, é graças à sua  experiência inicial, incrivelmente engenhosa, realizada há quase quarenta anos que sabemos que os chimpanzés e os gorilas têm consciência, como os seres humanos, enquanto os cães e os gatos não, mas isso talvez seja assunto para outro artigo. Vemos o Gordon na foto à esquerda, discursando no plenário sobre este mesmo tema (como o leitor pode ver) na primeira reunião anual da NorthEastern Evolutionary Psychological Society [2] (foto: Jay Landolfi). O Gordon é um orador magnífico, mas muito raramente dá palestras em conferências. Portanto, aqueles entre nós que pudemos ouvir a sua apresentação nessa reunião vivemos um momento verdadeiramente histórico.

A forma do pénis humano é bastante diferente da de muitas outras espécies de primatas. Em particular, a glande («cabeça») do pênis humano tem a forma duma cunha. O diâmetro da glande proximal é maior do que o próprio corpo do pénis, e a crista que se eleva na interface entre a glande e o corpo está posicionada perpendicular a este, como a figura indica.

Além disso, o macho humano pratica, durante a cópula, movimentos de vaivém repetidos antes de ejacular. O efeito combinado da forma particular da glande do pênis e dos movimentos de vaivém repetidos durante a relação sexual é puxar o sémen alheio para longe do colo do útero. Se uma fêmea copulou com mais do que um macho num curto período de tempo, isso permite que os machos subsequentes expulsem o sémen deixado pelos outros antes de ejacular. Por outras palavras, de acordo com o Gallup, o pénis humano é um «dispositivo de deslocamento de sémen.» Este órgão está desenhado e é usado para remover o sémen doutros homens do colo do útero antes do homem ejacular.

Se as mulheres não se envolvessem em cópulas fora do casal ao longo da história evolutiva humana, então o pénis humano não teria a forma que tem (como uma cunha ou colher), e o macho humano não iria praticar movimentos de vaivém repetidos durante a relação sexual antes de ejacular. O sinal claro da promiscuidade das mulheres ao longo da história evolutiva está no tamanho e forma dos órgãos genitais dos homens e no que os homens fazem com eles.

A figura à direita resume esquematicamente os meus últimos dois artigos [3] e muito mais. Os círculos principais em ambos os sexos, por comparação com o círculo preto à direita, indicam o grau de dimorfismo sexual em tamanho (o tamanho do corpo relativo do masculino e do feminino dentro de cada espécie). Os círculos principais dos machos de todas as espécies de grandes símios são maiores do que a figura de comparação do sexo feminino, e os círculos principais das fêmeas de todas as espécies são menores do que a figura de comparação masculina. Isto acontece porque os machos de todas as espécies de grandes símios são maiores do que as suas fêmeas.

O par de círculos mais pequenos indica o tamanho relativo dos testículos (para os machos) e das mamas (para as fêmeas) entre as espécies. O apêndice indica o tamanho relativo do pénis (para os machos) e dos ovários (para as fêmeas) entre as espécies. Como mencionei no meu último artigo [4], os homens têm testículos que são maiores do que os dos gorilas e dos orangotangos (cujas fêmeas são em grande parte sexualmente exclusivas dos seus companheiros), mas menores do que os dos bonobos e dos chimpanzés (cujas fêmeas são altamente promíscuas). Curiosamente, a figura indica que, em relação aos machos doutras espécies de grandes símios, os homens têm um pénis invulgarmente grande. Não estou a par de qualquer explicação evolutiva para esta observação, mas, se isso não calar a sua namorada, não sei o que fará.

Naturalmente, a figura também indica que, em relação às fêmeas doutras espécies de grandes símios, as mulheres têm mamas invulgarmente grandes. Aventamos uma razão para tal facto no Capítulo 3 do nosso livro: «Why Beautiful People Have More Daughters» [Por que as pessoas bonitas têm mais filhas] [5] («Barbie — Manufactured by Mattel, Designed by Evolution» [Barbie — fabricada pela Mattel, desenhada pela evolução]), ou, mais resumidamente, na revista «Psychology Today» [6]. Se isso não calar o seu namorado, não sei o que fará.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

Um comentário a “Para saber o que as mulheres andaram a fazer, olhe para os genitais masculinos (parte II) — O pénis”

[…] Agora, naturalmente, o facto da poliandria ser tão rara na sociedade humana não significa necessariamente que as mulheres casadas, quer em situação de monogamia, quer de poliginia, sempre tenham sido fiéis aos seus maridos e acasalado com apenas um homem. Pelo contrário, como eu expliquei em artigos anteriores, temos provas fisiológicas de que as mulheres sempre foram levemente promíscuas, ao longo da história evolutiva. Consulte «Para saber o que as mulheres andaram a fazer, olhe para os genitais masculinos (parte I) — Os testículos» [5] e «Para saber o que as mulheres andaram a fazer, olhe para os genitais masculinos (parte II) — O pénis» [6]. […]

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