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A sabática da silly season

Por Ana Raimundo Santos

Há quase um ano, escrevi uma crónica, na qual falava da silly season [1]. À data, vivia-se no País um verdadeiro marasmo veraneante. Os políticos iam a banhos e de pouco mais se falava nos meios de comunicação social nacionais. Outra vez, como tantas outras vezes. Este ano, pensávamos nós, após a saída da troika do nosso País, a época balnear seria apenas mais do mesmo.

Enganámos-nos!

Apesar da esquizofrenia meteorológica que se vive neste Verão de 2014, a verdade é que parece que a silly season tirou uma sabática e deixou o País, não a banhos, mas a braços com problemas verdadeiramente graves para resolver.

Seis anos depois da nacionalização do BPN [2], surge a crise do BES [3], que deixou o País em pânico e, verdadeiramente, à beira dum ataque de nervos. Com a criação do Novo Banco [4], muitos foram os que perderam os seus investimentos — de risco, dizem os entendidos. E, mais uma vez, as páginas dos jornais encheram-se de razões e de más palavras contra os malvados que levaram o BES [5] à ruptura.

A este respeito apenas se me afigura prudente afirmar que, na minha modesta opinião, ainda a procissão vai no adro, só que desta vez não veremos passar o andor!

A par da tragédia que envolve o BES, surge, mais uma vez, o Tribunal Constitucional nas luzes da ribalta: 14 de Agosto [6] é o dia em que pode ficar decidido o futuro eleitoral do País (em meu entender, esclareça-se).

Passo a explicar: na minha modesta e humilde opinião, das duas uma — ou o Tribunal Constitucional não declara a inconstitucionalidade dos diplomas cuja fiscalização preventiva da constitucionalidade foi requerida [7] e fica tudo bem para o Governo, que respirará de alívio e poderá elaborar o Orçamento de Estado para 2015 na paz do Senhor; ou, ao invés, o Tribunal constitucional declara a inconstitucionalidade dos diplomas e aí, como se diz na gíria popular, temos o burro nas couves.

A eventual declaração da inconstitucionalidade dos referidos diplomas poderá ter a capacidade de provocar uma hecatombe política no nosso país. Já no Expresso [8] de hoje, Luís Montenegro [9], líder parlamentar do PSD, afirma que «com mais chumbos do TC será difícil acabar a legislatura». Ora, tire daqui, o leitor, as suas conclusões, que eu já tirei as minhas.

Esta forma subversiva e vergonhosa de nova forma de pressão sobre o Tribunal Constitucional [10] vem acrescer a uma outra, mais surpreendente e gravosa, vinda directamente do Presidente da República [11].

Devo admitir que, se as declarações de Luís Montenegro não me surpreenderam minimamente, não posso dizer o mesmo em relação à postura assumida por Cavaco Silva.

Onde é que isto vai parar?

A ver vamos, como diria o cego!

A verdade é que silly season, este ano, nem vê-la; já problemas e instabilidade económica e política temos em barda!

Vou ali de férias, enquanto me deixam, porque, para o ano, até nisso nos vão cortar!

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