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Consultório da Ria

A coluna vertebral

Por Carlos Lima

A coluna vertebral é um conjunto de ossos, chamados vértebras. É uma estrutura forte e flexível, que permite movimentos para a frente, para trás, para os lados e sobre o seu próprio eixo. Tem a importância de suportar o crânio e servir de ponto de apoio para as costelas e muitos músculos.

A coluna vertebral do adulto contém 26 vértebras articuladas, enquanto a do bebé possui 33, pois as sacrococcígeas ainda não estão unidas. Temos sete cervicais (pescoço), doze torácicas, cinco lombares, uma sagrada e uma coccígea (esta, constituída a partir de quatro vértebras que consolidam entre si, mantendo uma flexibilidade mínima).

Entre as vértebras, existem os discos intervertebrais, constituídos por fibrocartilagem na parte mais externa e um núcleo pulposo (mole). Estes discos formam articulações fortes e flexíveis e absorvem o choque vertical do salto ou da própria marcha.

A coluna vertebral, vista como um todo, apresenta quatro curvaturas típicas, correspondendo aos vários tipos de vértebras: na coluna cervical e lombar, um arco voltado para a frente; na torácica e sagrada, um arco voltado para trás. Estas curvaturas aumentam a força, auxiliam no equilíbrio na posição erecta e ajudam a absorver o choque, limitando o risco de fracturas. O feto e o bebé apenas têm uma curvatura; com o desenvolvimento da força para levantar a cabeça e, depois, com a marcha, a coluna vai adquirindo a forma do adulto.

As vértebras possuem um buraco central, por onde passa a medula espinhal, e dois buracos intervertebrais, por onde passam as ramificações nervosas oriundas da medula espinhal. Cada vértebra é constituída por três partes: corpo, arco vertebral e apófises. O corpo é a maior porção da vértebra e suporta os discos intervertebrais. O arco vertebral cria o buraco vertebral (fornecendo protecção para a medula espinhal) e os buracos intervertebrais (para a protecção das raízes nervosas). As apófises são as proeminências ósseas que saem da vértebra e criam áreas de apoio que limitam a flexibilidade (excepto quando trabalhada, como, por exemplo, pelos contorcionistas), reduzindo assim o risco de lesão e servindo também de pontos de apoio e inserção muscular.

As duas primeiras vértebras cervicais — atlas e áxis — são diferentes de todas as outras, para permitir uma maior mobilidade da cabeça. O atlas não possui corpo nem apófise espinhoso e possui uma superfície articular maior do que as outras, para permitir os movimentos da cabeça para cima e para baixo, através do apoio do osso occipital. Já o áxis difere por possuir uma apófise ou dente que articula com o atlas, e permite o movimento de rotação, permitindo mexer a cabeça para um lado e para o outro.

As vértebras torácicas diferem no facto de terem uma superfície articular em contacto com as costelas.

As vértebras lombares são estruturalmente mais robustas, para permitir a inserção de maior número de músculos e músculos mais fortes, que formam a chamada ponte lombar, permitindo manter o equilíbrio quando nos dobramos.

O sacro é uma estrutura osteocartilagínea durante a infância e adolescência e compacta a partir dos 16–18 anos, estando completamente consolidada por volta dos 25 anos; tem particular importância na ligação entre a coluna vertebral e a bacia.

O cóccix assume a função de protecção posterior da região pélvica. Tem mais flexibilidade na mulher, devido ao seu envolvimento no trabalho de parto, em que permite aumentar o tamanho do canal de parto.

Os problemas que mais afectam a coluna vertebral são as curvaturas alteradas, como a escoliose — que é uma curvatura ou desvio lateral da coluna, assumindo particular importância devido às alterações da dinâmica da mobilidade. Está muito associada ao uso continuado de peso dum dos lados, como por exemplo as mochilas escolares num dos ombros. A cifose é conhecida como «corcunda», devido ao acentuar da curvatura da coluna torácica. A lordose é uma curvatura acentuada da coluna lombar, muito frequente nas grávidas, devido ao esforço para manter o equilíbrio.

As hérnias discais são uma rotura ou alongamento dos discos cartilagíneos, com extravasamento frequente do conteúdo pulposo. Devem-se a esforços continuados em postura incorrecta ou a esforços violentos, habitualmente em rotação, o que leva ao esmagamento duma parte do disco. A sua gravidade vária conforme a compressão sobre o ramo nervoso, podendo passar por situações de sensação de choque a dores constantes, acompanhadas de formigueiro, das regiões inervadas por aquele nervo.

A espinha bífida é uma malformação congénita em que as apófises espinhosas não se desenvolvem, mantendo a medula espinal desprotegida.

O exercício, de maneira geral, é bom para a coluna vertebral; mas os alongamentos, que nos permitem manter uma boa flexibilidade associado a cargas moderadas e equilibradas, são uma boa forma de manter a sua coluna em forma.

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