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Estado de Sítio

Do Algarve para o país, ou balanço de férias

Por Ana Raimundo Santos

Algarve em Agosto costuma ser sinónimo de caos; e este ano não foi diferente: muitas pessoas nas praias, muitas pessoas nos restaurantes, muitas pessoas nos supermercados, demasiadas pessoas nas ruas e nos bares à noite! Mas não se iluda o leitor: à semelhança dos anos anteriores, como desde sempre me lembro, a população do Algarve aumenta exponencialmente à conta da prata da casa.

Fala-se de crise, de falta de dinheiro, de desemprego, mas a verdade é que, durante o mês de Agosto, mais de meio País se muda de malas e bagagens para esta região. Tudo se enche de carros e de pessoas, tornando as vidas dos locais, muitas vezes, um autêntico inferno; já para não falar da quantidade de estrangeiros, que acentua ainda mais esta realidade.

Em conversa com uma amiga autóctone, a conclusão foi só uma: o Algarve é um inferno, seja qual for a altura do ano. No Outono e no Inverno, o inferno decorre do deserto que se instala na região; no Verão e na Primavera, assume a forma de avalanche humana, que invade as terras algarvias e altera os hábitos dos que por aqui passam o ano inteiro.

Ainda assim, infernal ou não, o Algarve sabe sempre bem, nesta altura do ano. Muitos são os amigos que se cruzam por cá, mesmo sem qualquer combinação prévia; o bronze adquire-se com facilidade; e a boa disposição impera.

Não nego que, ao fim duma semana, a vontade de rumar a Lisboa já é mais do que muita — as nossas coisas e as nossas pessoas fazem uma falta incomensurável. Tenho de admitir sem reservas que sim, sou uma avessa confessa a multidões, a enchentes e afins, e sair da minha zona de conforto é sempre complicado, ainda que, em tempos de Verão e de praia, abra uma excepção à regra e saiba sempre muito bem!

Amanhã rumo a Lisboa, com a pele morena, o corpo e a cabeça descansados e com imensa vontade de voltar a dormir na minha cama!

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