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Pedaços de religiosidade informática

Por Gustavo Martins-Coelho

Falando em Control–zê [1]… Ao quinto dia, Deus criou os dinossauros. Mas, no dia seguinte (o sexto, portanto), achou-os demasiado corpulentos e escamosos. Então, disse:

— Faça-se Control–zê!

E os dinossauros extinguiram-se. Isto não vem na Bíblia, mas é verdade. Entretanto, chegou o sétimo dia e Deus foi de férias (isto vem na Bíblia). Foi então que disse:

— Faça-se a Ryanair!

Fez o check-in online (já tinha criado a Internet ao segundo dia, quando tinha querido partilhar uma foto do Paraíso no Facebook (que tinha sido criado ao primeiro dia). Não se questiona como é possível que Deus tenha criado o Seu perfil no Facebook antes de ter criado a própria Internet. Se Deus conseguiu engravidar uma virgem, aceder ao Facebook sem ter uma ligação à Internet não parece nada do outro mundo, em comparação.

As verdades de ontem podem não o ser hoje, mas voltarão decerto a sê-lo amanhã. Antes andar adiantado do que atrasado.

Se o Freud tivesse vivido hoje em dia, em vez de ter vivido na época em que viveu, não mereceria metade do crédito que mereceu na altura e que, ainda hoje, influencia o crédito que lhe dão. As teses que defende e os argumentos que utiliza para sustentá-las pertencem mais ao campo do charlatanismo do que da ciência, ou mesmo do senso comum.

Na Internet, nada se perde, nada se cria, tudo se reenvia. Ou copia, corta e cola.

A regra número um da informática: se funciona, não perguntes como. É impressionante a quantidade de tralhas inúteis que uma pessoa consegue guardar num disco rígido! É impressionante a quantidade de lixo que uma pessoa consegue acumular, em geral.

Entrar, sentar, ligar o computador e ter Internet. É pedir muito? Não me chateia que o processo demore «alguns minutos». Chateia-me é que o computador fique totalmente parado durante esses «alguns minutos».

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