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Consultório da Ria

A mão

Por Carlos Lima

A mão é uma estrutura complexa de ossos [1], músculos [2], nervos e vasos sanguíneos, que consegue movimentos de grande delicadeza e gestos de grande potência e capacidade preênsil. Se pensarmos um pouco, sabemos que podemos suspender o nosso corpo pelas mãos; as mesmas mãos são capazes de apanhar objectos tão pequenos como a cabeça de um alfinete, ou realizar a escrita.

Os ossos da mão são 27 e dividem-se por três grandes grupos: carpo, metacarpo e falanges.

O carpo são duas fileiras de quatro ossos cubóides, ou seja, com seis faces — duas das quais são articulares.

O metacarpo é um conjunto de cinco ossos longos, separados entre eles. Possuem superfície articular com a segunda fileira de ossos do carpo e com as falanges. No corpo do osso, têm secção de forma triangular e uma ligeira curvatura no sentido da palma da mão. Esta curvatura favorece o apoio das falanges quando fechamos a mão. A forma triangular do corpo do osso oferece mais pontos de apoio para os músculos e cria espaço para outras estruturas (como os nervos e vasos sanguíneos) cruzarem da parte dorsal para a parte palmar da mão.

As falanges são ossos longos, com duas superfícies articulares nas extremidades. São catorze, três por dedo, à excepção do polegar, que só possui duas; são as suas articulações que permitem os movimentos dos dedos, ao ponto de os enrolarmos sobre a palma da mão.

Quanto aos músculos que permitem o movimento da mão, são de duas naturezas: os que são seguimento dos músculos do braço, e que são considerados músculos extrínsecos; e os que se iniciam e terminam na própria mão, ou intrínsecos.

Os músculos intrínsecos são divididos em grandes grupos: tenar, hipotenar, adutor do polegar, palmar curto e músculos curtos da mão.

O grupo tenar relaciona-se com os movimentos do polegar e é constituído por três músculos — abdutor, flexor e oponente do polegar, que desempenham a função que os próprios nome indicam, sendo a abdução o afastamento do polegar dos outros dedos e a oponência o dobrar do polegar sobre os outros dedos, o que nos permite agarrar.

O grupo hipotenar tem as mesmas funções e composição que o grupo tenar, mas agora relacionado com o quinto dedo, ou mínimo.

O adutor do polegar é um músculo único e permite juntar o polegar aos outros dedos.

O palmar curto permite a formação da concha na palma da não, para alem de proteger as estruturas existentes na palma da mão (vasos sanguíneos e nervos).

O grupo dos músculos curtos da mão é dividido em: interósseos dorsais, que fazem o afastamento entre os dedos (abdução); os interósseos palmares, que aproximam os dedos (adução); e os lumbricais, que permitem a flexão e extensão dos dedos, através da divisão dos seus tendões, que se ramificam para abordarem as falanges pelo dorso e pela palma da mão.

Quanto aos músculos extrínsecos, ou que têm origem no braço e antebraço, relacionam-se com os movimentos de flexão e extensão dos dedos e ainda com a abdução do polegar; contudo, a sua principal função associa-se ao punho e aos movimentos por ele realizados.

A irrigação da mão assume tal importância, que desenvolvemos arcadas arteriais e venosas anastomóticas, que permitem a irrigação e a drenagem por ambos os lados da mão. A arcada arterial superficial provém da artéria cubital e a arcada arterial profunda da artéria radial.

A inervação está a cargo de três nervos: o mediano, o cubital e o radial. A mão é, a par com os lábios, a parte mais inervada do corpo; é essa inervação que permite toda a sua precisão e sensibilidade.

As doenças que mais afectam a mão são habitualmente traumáticas, dado que as mãos são bons instrumentos defensivos dos perigos — por exemplo, nas quedas — e executam tarefas delicadas no limiar do risco — como, por exemplo, segurar para cortar.

A síndrome do túnel cárpico ocorre quando o nervo mediano é comprimido. É uma situação dolorosa, acompanhada de dormência. É muito comprometedora, pois, para além do desconforto, a pessoa não consegue segurar os objectos na mão por muito tempo e acaba por deixá-los cair. Exige frequentemente correcção cirúrgica.

A mão é uma parte do corpo de grande agilidade, flexibilidade e sensibilidade; permite-nos desenvolver um conjunto de actividades com grande facilidade, que todos consideramos fundamentais. Devemos, por isso, proteger as mãos e cuidá-las, para que elas continuem a proteger-nos. Lavar as mãos e hidratar a pele é uma das formas; usar as protecções recomendadas nalgumas actividades é outra.

Saúde!

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