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Consultório da Ria

O pé

Por Carlos Lima

O pé humano é uma estrutura muito complexa, formada por músculos [1], ossos [2], ligamentos e articulações [3]. O pé apresenta uma das maiores variedades estruturais do corpo; ele recebe e distribui o peso corporal, adaptando-se a superfícies irregulares e actuando como uma alavanca rígida, que impulsiona o organismo durante a marcha. Do ponto de vista do equilíbrio e marcha, tudo o que acontece no pé tem reflexos no resto do corpo e tudo que acontece no resto do corpo tem reflexos no pé.

O pé humano é composto por 26 ossos assim distribuídos: sete ossos do tarso (astrágalo, calcâneo, cubóide e os três cuneiformes); cincos ossos do metatarso; e catorze falanges (três para cada um dos dedos, excepto para o hálux, ou dedo grande do pé, que tem apenas duas). Os ossos são mantidos unidos através dos 107 ligamentos e formam 33 articulações.

Os movimentos do pé são realizados pelos músculos, que são classificados em extrínsecos e intrínsecos.

Os músculos extrínsecos têm a sua origem acima do tornozelo e a inserção no pé; realizam movimentos como a flexão dorsal (levantar a ponta do pé), a flexão plantar (baixar a ponta do pé), a inversão (torcer o pé para dentro), a eversão (torcer o pé para fora) e o movimento dos dedos.

Os músculos intrínsecos são os que se originam abaixo da articulação do tornozelo, podendo situar-se no dorso ou na planta do pé; estes músculos realizam a movimentação dos dedos.

O suprimento arterial do pé é fornecido principalmente pelas artérias tibial posterior e tibial anterior. Tal como acontece na mão, também formam arcadas arteriais, ou anastomoses, plantar e dorsal, para melhor garantir a irrigação do pé, principalmente em situações de lesão.

Existem três tipos de pé: pé normal, pé plano ou chato e pé cavo. A impressão plantar — ou pintar o pé e apoiá-lo numa folha de papel — fornece muitas informações sobre os pontos de apoio do pé e tem a vantagem de ser um método simples e de baixo custo.

Os nervos tibial, peroneal e safeno inervam os músculos que realizam os movimentos do tornozelo e dos dedos. A inervação do pé é extremamente importante, porque o pé é uma fonte constante de estímulos sensitivos, que se originam do contacto do pé com o meio exterior, fornecendo a informação necessária para que se mantenha o equilíbrio durante a marcha e a realização das actividades humanas.

As principais deformidades dos pés são: pé plano ou pé chato (em que os ossos do tarso tendem a formar uma linha recta em vez dum arco, perdendo a função de amortecimento, e que, com o evoluir da idade, pode causar dores na marcha e quando se está muito tempo em pé — o uso de palmilhas personalizadas é suficiente para uma boa correcção); o pé cavo (no qual os ossos do tarso tendem a formar um arco muito acentuado, induzindo uma grande pressão sobre os ossos do médio pé, que podem fracturar com maior facilidade); e o pé equino ou pé torcido (que leva a que a pessoa só apoie a ponta do pé, devendo-se a lesão dos músculos flexores — o calçado ortopédico e a fisioterapia contribuem para uma correcção satisfatória). Estas situações têm correcção fácil, na criança, sem medidas agressivas, mas são de tratamento difícil no adulto.

As micoses do pé, nomeadamente o pé de atleta, podem ser evitadas pelo uso de chinelos nos balneários públicos e pela lavagem das banheiras com lixívia nas nossas casas, acompanhados de tratamento dos pés e do calçado.

As causas mais frequentes de distúrbios nos pés são os factores causadores de estresse, que podem estar relacionados com o calçado (salto alto), e as alterações mecânicas da marcha. Evitar exposições excessivas, dar repouso aos seus pés e umas massagens de relaxamento contribuem para que aqueles tenham uma boa saúde.

Saúde!

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