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Consultório da Ria

A tiróide

Por Carlos Lima

A glândula tiróide é uma importante glândula endócrina [1], responsável pela produção de tiroxina (T4 — porque contém quatro átomos de iodo), triiodotironina (T3 — contém três átomos de iodo) e calcitonina. Está localizada na região anterior do pescoço, junto à laringe e à frente da traqueia, e pesa cerca de 15–30 g. É formada por dois lobos laterais, unidos na linha média por uma estrutura chamada istmo.

As hormonas da tiróide desempenham três funções: regulação do metabolismo; regulação do crescimento e do desenvolvimento; e regulação da actividade do sistema nervoso. Na regulação do metabolismo, estimulam a formação de proteínas e aumentam a destruição das gorduras, a eliminação do colesterol e o uso de glicose (açúcares) para a produção de energia.

Em conjunto com a somatotropina (hormona do crescimento) e a insulina, aceleram o crescimento corporal, em particular o do sistema nervoso. Durante o desenvolvimento fetal, a falta ou insuficiência das hormonas da tiróide condicionam neurónios (células nervosas) mais pequenos e em menor número, deficiente mielinização dos neurónios e défice mental. Nos primeiros anos de vida, leva a baixa estatura e a fraco desenvolvimento de certos órgãos, nomeadamente do cérebro [2] e dos órgãos genitais [3, 4, 5].

A libertação das hormonas tiroideias depende de diversos factores. Quando o nível no sangue das hormonas da tiróide desce, o hipotálamo (no cérebro) [2] estimula a adeno-hipófise a libertar a hormona estimulante da tiróide; e a tiróide responde, libertando mais hormonas, equilibrando o metabolismo. Com o organismo em equilíbrio, as hormonas tiroideias inibem ou reduzem a libertação da hormona estimulante da tiróide pela adeno-hipófise e tudo fica em equilíbrio até se iniciar um novo ciclo.

A calcitonina está relacionada com o equilíbrio do cálcio e fosfatos no sangue, através de vários mecanismos, que permitem que o cálcio se deposite nos ossos, e é regulada pelas hormonas produzidas pelas paratiróides, que desenvolvem o processo inverso.

A tiróide é fortemente irrigada por vasos sanguíneos. O facto de receber muito sangue permite-lhe libertar grande quantidade de hormonas, caso seja necessário.

Com o avanço da idade, a produção de quase todas as hormonas diminui e as da tiróide não são excepção. Com a diminuição das hormonas tiroideias, o metabolismo diminui. Esta é uma das razões para a tendência para o aumento de peso, com o avanço da idade.

Um dos principais componentes das hormonas da tiróide é o iodo. O iodo pode ser encontrado em diversos alimentos, como por exemplo o ovo (que também possui vitamina D, necessária para a gestão do cálcio) e os frutos do mar, como camarões, ostras, lagosta, entre outros. As algas e os peixes de mar também são ricos em iodo e devem ser consumidos no mínimo três vezes por semana. O uso de suplementos e de vitaminas raramente é necessário e o seu uso inadequado pode levar à disfunção da tiróide.

As doenças mais comuns da tiróide são: hipotiroidismo e hipertiroidismo.

O hipotiroidismo, ou seja, a diminuição das hormonas tiroideias, conduz à diminuição do metabolismo e, devido a isso, aparece um grande cansaço e sonolência e, se o problema persistir, leva a aumento de peso.

Já o hipertiroidismo (nível de hormonas aumentado) leva a uma aceleração do metabolismo, com insónia, perda de peso, aumento do ritmo cardíaco, irritabilidade. Como costuma dizer o povo, a pessoa parece eléctrica.

O bócio é um aumento das dimensões da tiróide, para captar mais iodo, e não um excesso de produção de hormonas tiróideias.

Em condições normais, uma alimentação variada e equilibrada é suficiente para manter um bom funcionamento da tiróide. As alterações necessitam de correcções medicamentosas e isso é para ser tratado pelos seus profissionais de saúde…

Saúde!

8 comentários a “A tiróide”

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