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Olho Clínico

Planeamento Familiar e Saúde da Mulher — uma análise

Por Sara Teotónio Dinis

Nestas duas tipologias de consulta, o médico deve saber gerir os problemas de saúde específicos da mulher, quer actuando preventivamente, quer curativamente — resolvendo as intercorrências comuns e identificando as situações que justificam a referenciação para outras especialidades.

Reflectindo acerca destas consultas, destaco o seguimento paralelo dalgumas utentes em consulta privada da especialidade de Ginecologia como uma dificuldade e as primeiras consultas de planeamento familiar como um desafio.

Relativamente ao primeiro caso, verifica-se que parte das mulheres que vem à consulta de Saúde da Mulher não traz consigo informação relativa às consultas que frequenta fora do SNS, nem resultados de exames que realiza também através do sector privado. Desta forma, não existe uma partilha de informação eficaz e pode haver necessidade de duplicação de exames, com maiores custos (quer para a utente, quer para o SNS) e maior iatrogenia — dada a possibilidade de se estar a repetir procedimentos e exposições desnecessariamente.

As primeiras consultas de planeamento familiar são deveras importantes, dado que são o primeiro contacto com o programa de vigilância e prevenção direccionado à sexualidade e à reprodução saudáveis. Começando com uma anamnese detalhada e dirigida, é necessário aplicar estratégias de educação para a saúde no âmbito da sexualidade adaptadas à idade e ao contexto sociocultural, e informar e aconselhar relativamente aos métodos contraceptivos, às infecções sexualmente transmissíveis e aos comportamentos de risco.

As especificidades do exame físico ginecológico completo e do exame da mama obrigam a um esclarecimento prévio do que se vai examinar e ao consentimento informado da mulher, antes de se efectuarem determinados exames complementares — como, por exemplo, a citologia esfoliativa do colo do útero.

O hábito continuado da comparência anual à consulta de vigilância é algo que deve ser estimulado, dado que irá permitir à mulher conhecer melhor a sua fisiologia da reprodução e da sexualidade e receber o acompanhamento necessário em cada uma das fases do seu percurso de vida; e irá possibilitar ao médico diagnosticar e tratar problemas ginecológicos comuns, promover o rastreio do cancro do colo do útero e do cancro da mama, realizar a consulta pré-concepcional, e acompanhar a gravidez e o puerpério.

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