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Consultório da Ria

A placenta

Por Carlos Lima

A placenta é uma membrana que permite ao bebé receber oxigénio, alimento e eliminar o dióxido de carbono e as substâncias produzidas pela actividade celular. O sangue da mãe circula num lado da placenta e o sangue do bebé no outro, ou seja, o sangue da mãe e do filho não se misturam; todas as trocas são feitas através da placenta. A placenta é também um órgão endócrino [1], envolvido na produção de diversas hormonas.

A placenta desempenha várias funções essenciais, que o bebé não consegue exercer sozinho. Desta forma, é como se ela substituísse o sistema digestivo, os pulmões [2] e os rins [3] do bebé, enquanto os deste se encontram em plena evolução.

Uma dessas funções é a troca de substâncias da mãe para o bebé — consiste na passagem de nutrientes e de oxigénio do sangue da mãe para o sangue do bebé. No entanto, o bebé necessita do dobro do oxigénio da mãe — daí o ritmo cardíaco do bebé ser muito mais elevado.

Outra função é a troca de substâncias do bebé para mãe — são os pulmões [2], os rins [3] e os intestinos [4] da mãe que expulsam o dióxido de carbono e os resíduos que o bebé produz, através da sua passagem para o sangue da mãe, pela placenta.

Existe também a função de protecção do bebé — a placenta impede a passagem de substâncias nocivas da mãe para o bebé, como algumas drogas, substâncias químicas e biológicas. É também ela que que evita que o bebé seja rejeitado pelos anticorpos da mãe. Como o sistema imunitário do bebé ainda não está completo, é a placenta que filtra do sangue da mãe agentes virais e bacterianos e garante a defesa do bebé através da protecção conferida pelos anticorpos produzidos pela mãe. Esta é a razão pela qual alguns bebés, filhos de mães portadoras de algumas doenças infecciosas — como a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana ou vírus da hepatite B —, apresentam anticorpos contra esses agentes nos primeiros meses de vida, demonstrando-se mais tarde, ou por testes mais diferenciados, que a criança não é portadora da doença da mãe.

A placenta tem também importância na transferência de calor: durante o processo metabólico intenso do bebé, produz-se calor. Com o grande fluxo de sangue na placenta, assegurado pela grande superfície desta, e com a ajuda do líquido amniótico, consegue-se dispersar o calor e controlar a temperatura do bebé.

Outra função é a produção hormonal — a placenta produz várias hormonas, que são necessárias para o bem-estar do bebé e contribuem para as adaptações necessárias no corpo da mãe, durante a gestação. Essas hormonas são a progesterona, os estrogénios, o lactogénio placentário e a gonadotrofina coriónica humana.

A progesterona é essencial na manutenção da gravidez. É produzida pelo ovário [5] até cerca das vinte semanas de gestação, sendo depois sintetizada pela placenta. A progesterona induz não só a receptividade do útero para a gravidez, mas também evita a resposta imunológica materna de rejeição.

A gonadotrofina coriónica humana é vital para preservar a gestação. Durante as primeiras semanas, as concentrações no sangue e na urina da mulher aumentam rapidamente; é a única hormona exclusiva da gravidez e é responsável pelo resultado positivo do teste de gravidez.

O lactogénio placentário é essencial para o crescimento do bebé e para a preparação para o aleitamento. A sua produção inicia-se pela quarta semana embrionária e tem um aumento significativo no segundo trimestre.

Os estrogénios provêm fundamentalmente da placenta durante a gravidez. O estriol é produzido pela placenta, com o contributo quer da mãe quer do bebé. Por causa da participação do bebé na formação do estriol, a medição dessa hormona pode ser um sensível indicador do bem-estar da placenta e/ou do bebé.

Como todas as hormonas produzidas no corpo humano, aquelas produzidas pela placenta interferem e regulam mutuamente outras hormonas e é isso que permite que a mulher encare a gravidez e a amamentação como um fenómeno fisiológico.

O local do útero [6] onde se fixa a placenta define muito do que pode ocorrer durante a gravidez. A implantação muito próxima do colo pode determinar um descolamento da placenta, e colocar em risco a vida do bebé.

A alimentação saudável é recomendada em todas as fases da vida; a gravidez não é excepção. Comer em qualidade e não em quantidade, ou seja, «comer para dois e não por dois» é uma das formas de manter uma placenta saudável e eficaz.

Saúde!

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