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Consultório da Ria

A medula óssea

Por Carlos Lima

A medula óssea é o tecido humano encontrado no interior do osso [1], com aspecto gelatinoso, e tem como função ajudar no crescimento ósseo e na produção de células do sangue [2]: glóbulos brancos [3], glóbulos vermelhos [4] e plaquetas [5].

Existem dois tipos de medula: a medula vermelha e a medula amarela.

A medula vermelha está presente em praticamente todos os ossos do feto e da criança e nos ossos longos, bacia, esterno, costelas, vertebras e crânio do adulto. É responsável pela produção das células do sangue [2] (hematopoiese) e é a esse facto que deve a sua cor vermelha. Consiste num conjunto de células do sangue [2] imaturas e indiferenciadas, conhecidas por células mãe ou células progenitoras, por tecido adiposo (gordura) e por macrófagos.  A medula óssea mantém-se em actividade intensa e ininterrupta para produzir células sanguíneas e, para isso, depende de abundante e contínuo suprimento de substâncias. Para elaborar novos glóbulos vermelhos [4], ela aproveita restos de glóbulos vermelhos envelhecidos e destruídos, cujo ferro [6], contido na hemoglobina [7], é reaproveitado.

A medula amarela é constituída por células de tecido adiposo e representa uma importante reserva de energia química. Na criança, é praticamente inexistente. É no adulto, com a evolução da idade, que ela ganha mais predominância, pois vai substituindo progressivamente a medula vermelha.

A hematopoiese é a formação de células do sangue [2] a partir de células progenitoras ou células mãe, ou seja, células indiferenciadas, que podem evoluir no processo de maturação para qualquer célula do sangue [2], conforme a necessidade específica de cada uma delas na corrente sanguínea.

Um dos distúrbios mais comuns da medula óssea é a aplasia da medula, em que a medula não produz células sanguíneas suficientes. Esta alteração pode ser congénita ou adquirida. A aplasia medular adquirida pode ter relação com o uso de determinado tipo de drogas e a exposição a radiação. A aplasia congénita tem a ver com factores genéticos.

Outra doença conhecida é a leucemia, que, sendo uma doença do sangue [2], tem a sua origem nas células presentes na medula óssea.

O transplante de medula óssea é a substituição das células da medula óssea da pessoa doente por células mãe da medula óssea do dador, através de uma transfusão de células devidamente preparadas para o efeito, em que as células mãe são levadas pela corrente sanguínea até à medula óssea, onde começam a desempenhar a função das células mãe da pessoa doente, que, entretanto, foram medicamente destruídas.

Os vegetarianos devem ter atenção ao fornecimento suplementar de vitamina B12, porque a sua origem na alimentação é essencialmente animal e esta vitamina desempenha uma função importante na absorção de ferro no intestino e na formação das células do sangue, em geral, e dos glóbulos vermelhos, em particular. Para as pessoas com uma dieta variada e equilibrada, não há necessidade de suplementação.

Saúde!

3 comentários a “A medula óssea”

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