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Estado de Sítio

«Tu» cá, «tu» lá

Por Ana Raimundo Santos

O PS foi a votos. Eleições primárias, chamaram-lhes. E os últimos quatros meses foram cheios duma vergonhosa e degradante tragédia política, que deixou o maior partido da oposição literalmente com as calças na mão.

A lavagem de roupa suja foi mais do que muita, mas debate político, que é bom, nem vê-lo. A esperança ainda residia nos debates televisivos, que se encontravam agendados para o mês das ditas primárias. Mas o espectáculo foi sofrível, os atores maus e o argumento miserável. No entanto, o que mais me incomodou de ver e ouvir foi o «tu» cá, «tu» lá que envolveu todas esta fantochada e que se catapultou para as casas de todos os Portugueses que, tal como eu, tiveram a infeliz ideia de assistir aos ditos debates. Por isso, hoje deixo-vos com as palavas — bonitas, ou não, cabe ao leitor julgar — que me apeteceu dizer aos oponentes neste episódio da vida política nacional:

 Meus caros António Costa e António José Seguro,

Não gostei nada de vê-los na televisão! Não por qualquer eventual desagrado meu perante a imagem de qualquer um de V/Ex.as, mas pela excessiva familiaridade e pelo desrespeitoso populismo através dos quais conduziram este processo.

Se são, ou foram, amigos, é lá convosco! Nem eu, nem nenhum português neste País tem o que quer que seja a ver com isso! Se se sentem traídos um pelo outro, a mesma coisa! Ninguém quer saber!!! Metam isso nas vossas cabeças duma vez por todas!

Juntaram-se em três debates televisivos e não respeitaram os Portugueses, que queriam convencer a votar em vós! Porquê? Por um motivo simples: se os Portugueses quiserem ver lavagem de roupa suja em público, não veem debates políticos na televisão; dirigem-se a uma qualquer rua duma zona mais populista deste País e deleitam-se com o espetáculo.

Mas, pior do que a lavagem de roupa suja, o que mais feriu os meus sensíveis ouvidos, foi a forma completamente informal e desproporcionada com que se trataram. «Tu»?! Sinceramente! Se são, ou foram, companheiros de jantaradas, de saídas à noite, de idas à Catedral para ver o Glorioso (partindo do pressuposto que são dois homens com um mínimo de bom gosto, é claro), mais uma vez, ninguém quer saber!

O que não é suposto é ver dois adversários políticos a tratarem-se por «tu» na televisão, perante onze milhões de Portugueses!

O que se passa atrás das câmaras, nos corredores da sede do Rato ou da Assembleia da República, é-me um bocadinho indiferente. Já o que acontece em canal aberto pode, ou não, ferir a minha sensibilidade e, eventualmente, chocar-me!

Aos dois, lanço um repto: comportem-se como dois políticos a sério e não como dois garotos traquinas, que estão a disputar a bola no recreio da escola!

Um grande bem-haja a ambos,

ARS

 Nota: Quanto às primárias propriamente ditas, pronunciar-me-ei daqui a quinze dias!

Um comentário a “«Tu» cá, «tu» lá”

ARS – Li o seu comentário “Tu” cá…. e francamente não gostei.
Que os intervenientes que faziam parte dos seus comentários – António Costa e António José Seguro – onde afirma que: ” lavagem de roupa suja foi mais do que muita, os atores maus e o argumento miserável. o que mais me incomodou de ver e ouvir foi o «Tu» cá, «Tu» lá que envolveu todas esta fantochada… não respeitaram os portugueses… pior que a lavagem de roupa suja, o que mais feriu os meus sensíveis ouvidos … não é suposto é ver dois adversários políticos a tratarem-se por «Tu» na televisão, … comportem-se como dois políticos a sério… ”
Espantou-me ler tantas frases tipo “chavões” que a Srª já leu em outros artigos dos jornais. E gostava só de saber: quem lavou a roupa suja? quem usou argumentos miseráveis? A quantos colegas seus a Srª já ouviu dirigirem-se na TV a altas figuras do Estado e do Governo usando o nome próprio da pessoa ou tratando-a por “tu” se forem velhos conhecidos? Que portigueses não foram respeitados e por quem? A Srª considera-se uma jornalista séria?
Não me parece.
Os meus cumprimentos… ah! e não se esqueça de sondar a opinião dos simpatizantes que votaram nesta pequena eleição interna.
Maria Inês Monteiro

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