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Consultório da Ria

Os hidratos de carbono ou açúcares

Por Carlos Lima

O corpo humano precisa de energia para desempenhar as suas funções vitais, como o batimento cardíaco, a respiração e a manutenção da temperatura. Essa energia é fornecida pelos alimentos e, em particular, pelos hidratos de carbono, ou açúcares.

Durante a digestão, os açúcares compostos são convertidos em açúcares simples, como a glicose, a frutose e a galactose. Após a absorção no intestino delgado [1], são transportados até ao fígado [2], onde a frutose e a galactose são convertidos em glicose. A partir desta transformação, o organismo utiliza somente a glicose. Para entrar na célula, a glicose precisa de insulina.

A glicose é a fonte de energia preferencial do corpo. Cada grama de hidratos de carbono fornece quatro quilocalorias. O destino da glicose depende das necessidades do organismo: se está a ser precisa, ela é consumida pela actividade da célula; se não é necessária, transforma-se em glicogénio e é acumulada na célula, no fígado [2] e no músculo [3]. Pode também ser convertida em triglicerídeos e acumulada sob a forma de tecido adiposo, ou gordura.

Existem três formas através das quais a glicose pode ser utilizada: a situação de perigo, em que o organismo recorre à glicólise; a situação em que a célula trabalha normalmente e produz energia através do ciclo de Krebs; e a situação em que é necessário activar a glicose através das reservas acumuladas no músculo, no fígado e gordura.

Através da glicólise, a glicose que se encontra de reserva na célula é utilizada visando responder às situações de perigo, ou seja, permitindo a contracção muscular e o aumento dos batimentos cardíacos e da tensão arterial em poucos segundos, na ausência de oxigénio. Este processo, feito na ausência de oxigénio, gera produtos colaterais — um dos quais é o acido láctico, que é responsável pelo aparecimento de dores musculares quando fazemos exercício muito intenso, após um período longo de inactividade. Que o digam aqueles que gostam de fazer uma partidinha de futebol ao fim-de-semana!

O processo normal de activação de energia, ou ciclo de Krebs, é um conjunto de reacções que ocorrem na célula e leva à produção de energia a partir da glicose, na presença de oxigénio — também conhecido como oxirredução — e está envolvido em todas as actividades humanas, desde as basais (batimentos cardíacos, manutenção da temperatura, etc.) às actividades voluntárias, como caminhar, mexer, etc.

Nalgumas circunstâncias, pode ser necessário produzir energia a partir de substâncias acumuladas nos músculos e tecido adiposo. Este é o processo mais oneroso para o corpo, pois perde-se metade da energia e gera-se calor. Digamos que, nos períodos de carência alimentar, o organismo recorre à gordura corporal e ao músculo como reserva de energia.

Existem hidratos de carbono em todos os alimentos, desde a couve-flor (por exemplo) até aos alimentos com açúcares refinados, como o pão e os bolos. A principal questão que se coloca, do ponto de vista alimentar, tem a ver com a rapidez com que esses açúcares chegam à corrente sanguínea, ou seja, com que fazem subir a glicemia. Assim, temos açúcares de absorção rápida, açúcares de absorção média e açúcares de absorção lenta. Os açúcares de absorção lenta vêm dos vegetais, dos alimentos integrais e dalgumas frutas, em que as fibras limitam a absorção. Os açúcares de absorção rápida vêm de alimentos refinados, como o pão, os bolos e algumas frutas.

O modo como consumimos alguns alimentos pode modificar a libertação dos açúcares neles contidos; dá-se como exemplo a cenoura, que, consumida crua, liberta os açúcares de forma lenta; quando cozida, a libertação é muito rápida.

Coma bem, coma hidratos de carbono ou açúcares, pois eles são os principais fornecedores de energia, mas não esqueça que eles estão presentes em todos os alimentos.

 Saúde!

10 comentários a “Os hidratos de carbono ou açúcares”

[…] Comer um cozido às dez da noite é a receita ideal para uma noite de insónia. Portanto, o ideal é acabar de jantar várias horas antes de ir para a cama. Se, entretanto, der a fome, comer qualquer coisinha leve e que, pela experiência pessoal de cada um, não interfira com o sono. O melhor são lacticínios ou alimentos ricos em hidratos de carbono [2]. […]

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