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Consultório da Ria

As proteínas

Por Carlos Lima

As proteínas fazem parte da estrutura biológica do corpo; estão presentes nos músculos [1], no sangue [2], no cérebro [3] e em todas as estruturas, pois fazem parte de todas as células. São sintetizadas na célula a partir dos ácidos aminados (também conhecidos como «ácidos da vida»), quer através dos ácidos aminados fornecidos pelas proteínas dos alimentos, quer através da reciclagem dos ácidos aminados recuperados das células que morrem, e outros sintetizados pelo corpo.

As proteínas desempenham um grande número de funções na célula: enzimática, transportadora, estrutural, defensiva, hemostática, de mobilidade, energética e genética — conforme explicitado a seguir.

As enzimas são proteínas e ajudam à ocorrência de diversas reacções no corpo, com custos energéticos mínimos. É o grupo mais variado de proteínas, pois existem mais de mil enzimas corporais. Praticamente todas as reacções do organismo são catalisadas por enzimas.

As proteínas transportam substâncias dum lado para o outro no corpo, como por exemplo glicose e ácidos aminados, através das membranas celulares; a hemoglobina, presente nos glóbulos vermelhos [4], transporta oxigénio para os tecidos.

As proteínas participam da arquitectura celular, conferindo às estruturas forma, suporte e resistência — é o caso da cartilagem e dos tendões, que possuem a proteína colagénio.

Os anticorpos são proteínas, que actuam defendendo o corpo contra os organismos invasores.

Algumas proteínas de coagulação sanguínea [5], como o fibrinogénio e a trombina, evitam os sangramentos; por outro lado, outras proteínas, como a proteína C e a proteína S, evitam a excessiva coagulação do sangue.

As hormonas [6] são proteínas que regulam inúmeras actividades metabólicas.

Algumas proteínas actuam na contracção das células e na produção de movimento, como é o caso da actina e da miosina, que, contraindo-se, produzem o movimento muscular.

As proteínas podem ser degradadas, para fornecer energia ao corpo; esta é uma função menor, em situações de normalidade, mas assume uma grande importância em situações de carência alimentar, em que a degradação da proteína muscular permite sobreviver por mais tempo.

É através das proteínas que são impressos os nossos genes, no chamado ADN. O núcleo da célula é que controla o código genético que conduz à formação das proteínas, que conferem a cada indivíduo as características que o tornam único.

Muitas proteínas são nutrientes [7] na alimentação. Após a sua ingestão, são degradadas e separadas nos respectivos ácidos aminados, no estômago [8] e no intestino delgado [9]. Os ácidos aminados são levados pela corrente sanguínea [10] e pela linfa [11] até ao fígado [12], onde alguns ácidos aminados são transformados e outros formados e, posteriormente, enviados para a célula, onde vão ser utilizados para fazer novas proteínas, ou seja, as proteínas humanas.

Possuímos cerca de vinte tipos diferentes de ácidos aminados, que podem ser divididos em dois grandes grupos: os ácidos aminados essenciais — que o corpo não consegue sintetizar, pelo que precisam de ser fornecidos pela alimentação; e os ácidos aminados não essenciais — que podem ser sintetizados pelo corpo.

A alimentação variada é importante para diversificar o tipo de proteínas ingeridas, porque as proteínas de origem animal e vegetal têm propriedades distintas e fornecem ácidos aminados diferentes; e a célula precisa de todos para fazer a síntese das proteínas corporais. Salvo nos atletas de alta competição, em que a gestão de proteínas deve ser avaliada, a dieta regular é suficiente — e por vezes excessiva — em proteínas.

Coma bem e diversifique tanto quanto o  seu gosto e a sua imaginação lhe permitirem.

Saúde!

12 comentários a “As proteínas”

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