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Consultório da Ria

O bebé

Por Carlos Lima

Ao nascer, o bebé, também conhecido como recém-nascido, pesa aproximadamente três quilos e trezentos gramas, se for menino, e menos duzentos gramas, se for menina. Mede aproximadamente cinquenta centímetros e a sua cabeça tem cerca de 34 centímetros de perímetro, na parte mais larga.

Os bebés vêm «equipados» para enfrentar o mundo exterior, mas completamente dependentes dos cuidados dos pais. Do ponto de vista fisiológico, trazem sistemas a precisar de completar a sua maturação, com vista à autonomia completa. São disso exemplo: o sistema nervoso, com particular ênfase para o cérebro [1], que continua em maturação até aos dois anos de idade, devido à necessidade do crânio vir aberto, para se moldar ao canal de parto; o sistema imunitário, que completa o seu equipamento de defesa entre os três e os seis meses; e o sistema digestivo, que vai progressivamente aumentando a sua capacidade de extrair os nutrientes dos alimentos que ingere.

O facto do sistema digestivo não se encontrar completo, a mudança do modo de alimentação do feto para o bebé e a alteração do equilíbrio de líquidos corporais fazem com que este perca aproximadamente 10% do peso corporal da nascença nos primeiros dias de vida, mesmo ingerindo quantidades de leite (de preferência materno) suficientes. Esta perda de peso é fisiológica: acontece com todos os bebés, mas ainda é um dos argumentos que muitas mães utilizam para dizer que o seu leite não tem qualidade e deixarem de amamentar [2].

O leite materno é óptimo e vai fazer o bebé crescer entre setecentos e oitocentos gramas por mês, nos primeiros três meses, reduzindo ligeiramente no segundo trimestre, mas duplicando o peso de nascença por volta dos seis meses de idade.

Em termos de estatura, o bebé cresce aproximadamente 25 centímetros no primeiro ano de vida. Está sempre em crescimento, ainda que nem todo o corpo cresça ao mesmo tempo, devido ao crescimento tão rápido e ao esforço que o corpo tem de fazer para crescer. Mesmo no bebé, podem existir diferenças mínimas, por exemplo no crescimento das pernas. Este aspecto parece não ter importância, mas torna-se evidente na fase em que a criança começa a andar, pois parece fazê-lo aos saltinhos, alternando com fases em que o faz completamente equilibrada, para o voltar a fazer aos saltinhos mais tarde. Este desequilíbrio pode também aparecer na adolescência, nas fases de crescimento rápido, e é acompanhado de alguma descoordenação, pois o cérebro é incapaz de corrigir estas diferenças e as crianças e os adolescentes parecem desajeitados.

A cabeça do bebé aparece habitualmente deformada depois do parto; isto deve-se ao facto dos ossos do crânio [3] não estarem consolidados entre si, como acontece no adulto. A consolidação óssea vai sendo feita progressivamente, até aproximadamente aos dois anos de idade. Primeiro, consolidam as suturas (união entre os ossos) com cartilagem, ficando as fontanelas, também conhecidas como moleirinha. A fontanela posterior fecha até aos quatro meses e a anterior (por cima da cabeça) até aos dois anos. A estabilização do crescimento da cabeça acontece pelos dois anos, com cerca de cinquenta centímetros de perímetro, e, depois desta fase, cresce proporcionalmente ao corpo.

Logo à nascença, o bebé apresenta um conjunto de reflexos que são importantes para a sua sobrevivência: o reflexo da sucção, que lhe permite mamar; o reflexo da preensão palmar, que lhe permite agarrar; o reflexo da marcha, que mais tarde lhe vai permitir andar; e o reflexo de Moore, que permite ao bebé encontrar o equilíbrio e agarrar-se perante uma situação de queda iminente.

O bebé está muito atento ao mundo que o rodeia, ou seja, ao mundo muito próximo. É muito sensível às variações que nele ocorrem, principalmente às que acontecem com os pais e particularmente com a mãe, pois sabe que a sua sobrevivência depende dela. O choro é a forma que o bebé tem de chamar a atenção e, com a passagem do tempo, os pais podem distinguir seis tipos de choro diferentes.

A icterícia fisiológica, ou trízia, é a coloração amarelada da pele e dos olhos do bebé. Habitualmente, não tem grande importância e será resolvida pelo próprio organismo. Está relacionada com a eliminação das bilirrubinas pela vesícula biliar para o intestino [4]. Quando tal não acontece, é necessário colocar o bebé sob uma fonte de luz ultravioleta, que vai ajudar a que a eliminação das bilirrubinas também seja feita através do rim [5], ou seja, pela urina.

O bebé é uma fonte de aprendizagem contínua e deve ver em cada um de nós, preferencialmente nos pais, essa mesma fonte inspiradora e motivadora. Ele espera de si segurança, afecto, alimento e compreensão. Ajude-o e ele crescerá com…

Saúde!

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