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Consultório da Ria

Os reflexos do bebé

Por Carlos Lima

Logo ao nascimento, o bebé [1] apresenta um conjunto de reflexos que são importantes para a sua sobrevivência: o reflexo da sucção, o reflexo da preensão palmar, o reflexo da marcha, o reflexo de Moore e a reacção de Landau.

O reflexo da sucção permite ao bebé mamar [2]. Quando se aproxima o dedo ou a mama da boca do bebé, ele movimenta a cabeça para abocanhar. Se se encostar o mamilo ou algo parecido ao palato (céu da boca) do bebé, ele instintivamente começa a mamar ou a sugar. Por volta do fim do primeiro mês, ele diferencia sugar e chupar, ou seja, quando tem fome suga, quando não tem fome chupa ou brinca, como faz com a chupeta. Este aspecto ajuda os pais a distinguir o choro de fome.

O reflexo da preensão palmar permite ao bebé agarrar. Se um adulto coloca um dedo ou outro objecto na palma da mão do bebé, ele aperta-o de imediato, muitas vezes com força, sendo capaz de aguentar o seu próprio peso suspenso durante uns segundos. Este reflexo é comum aos primatas, que têm de se agarrar à mãe, desde o nascimento, e perde-se por volta dos três meses. A partir desta fase, a criança já tem controlo e consegue agarrar e largar voluntariamente, e também consegue transferir objectos duma mão para a outra.

O reflexo da marcha vai permitir andar. O bebé está deitado de barriga para baixo, com as pernas flectidas; se se lhe toca nos pés, ele estica as pernas e empurra o corpo para a frente. Segurando-o pelas axilas e apoiando-o sobre as pernas de forma suave, ele muda as pernas como se caminhasse. Este reflexo é um importante indicador da capacidade da marcha.

O reflexo de Moore permite que o bebé se defenda perante a queda iminente. Se se levantar o bebé pelos braços e de seguida o soltarmos bruscamente, o bebé vai abrir os braços e as mãos e fechá-los de seguida. É como se o bebé apanhasse um susto, por estar a cair. Este reflexo permite-lhe procurar uma posição de equilíbrio para depois se agarrar.

A reação de Landau permite ao bebé defender a sua cabeça, em caso de queda. Segurando o bebé de barriga para baixo e apoiando-o apenas pela barriga, ele vai esticar a cabeça e as pernas ao mesmo tempo. Isto torna-se muito evidente antes do bebé gatinhar, pois, ao ficar apoiado pela barriga, tende a girar com o apoio das mãos. Isto faz com que a cabeça seja a última coisa a chegar ao chão em caso de queda. No adulto, em caso de perda de consciência, este reflexo é inverso, pois a pessoa curva-se para a frente mas cai para trás. O objectivo é o mesmo: fazer com que a cabeça seja a última coisa a bater no chão e com a menor força possível.

Todos estes reflexos devem estar atenuados ou ter desaparecido pelo final do primeiro ano de vida. O prolongamento no tempo, ou o seu aparecimento nos adultos, pode ser um indicador de lesão cerebral, pois indica que se persiste ou se retorna ao «piloto automático», ou a automatismos de defesa que não controlamos.

Há outro conjunto de reflexos que, estando presentes no bebé, também se verificam na idade adulta, pois destinam-se a equilibrar e defender o corpo: o reflexo da tosse (a pessoa tosse, quando suas vias aéreas são estimuladas por substâncias agressivas ou corpos estranhos), o reflexo do espirro (a pessoa espirra, quando as passagens nasais são irritadas) e o reflexo do bocejo (a pessoa boceja, quando o corpo necessita de mais oxigénio).

Saúde!

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