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Mil Palavras

O peso do Estado e o crescimento económico: acrescentando uma perspectiva temporal

Por Gustavo Martins-Coelho

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Depois de, na passada Quarta-feira [1], ter procurado explicar por que a correlação encontrada entre a despesa pública e o crescimento do PIB pode ter múltiplas interpretações (uma das quais, ser um fruto do acaso), achei por bem, neste «Mil palavras» [2], desenvolver o tópico, apresentando o gráfico acima, que analisa os mesmos dados utilizados na Quarta-feira, mas duma forma diferente, incluindo uma perspectiva temporal.

Assim, o gráfico ora apresentado representa, no eixo das abcissas, o crescimento médio do PIB para um dado triénio entre 1970–1972 e 2007–2009; e, no eixo das ordenadas, a despesa pública no triénio imediatamente a seguir (portanto, entre 1973–1975 e 2010–2012), para os países da OCDE [3] (Alemanha, Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estados Unidos da América, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Israel, Itália, Japão, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia, Suíça e Turquia).

Observa-se uma tendência negativa, ou seja, quanto mais elevado o crescimento médio do PIB num dado triénio, menor a despesa pública no triénio que se lhe segue. Esta associação continua a não representar causalidade, isto é, não se pode afirmar, apenas com estes dados, que é o fraco crescimento económico que faz aumentar a despesa pública. Mas, pelo menos, garante que o crescimento veio antes e a despesa depois — o que exclui a possibilidade de ter sido esta a determinar aquele.

Os dados provêm da base de dados da OCDE [4].

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