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Real–Barça

Por Carlos Lima

Porque será que um jogo da liga espanhola [1] gera tantas emoções a nível mundial?

Eu também quis ver: vi e revi alguns momentos. Claro que envolvia jogadores portugueses. Claro que tinha o nosso Ronaldo, mas os motivos de interesse também se centravam na qualidade geral dos jogadores envolvidos, no espectáculo que eles poderiam proporcionar e no espectáculo que decorria à volta do jogo.

Apesar de se tratar de um jogo da liga espanhola, quem teve a responsabilidade da organização procurou uma forma deste ser transmitido pela televisão para quase todo o mundo a horas consideradas acessíveis, porque os grandes negócios do futebol, hoje, são à escala mundial.

Hoje, falar de liga espanhola e doutras ligas é falar de jogadores de diversas nacionalidades, com diversas formações e com diversas habilidades não só desportivas, mas também comerciais — que às vezes se confundem, como as afirmações do Futre tão bem evidenciam, a respeito da contratação pelo Sporting dum chinês — e depois viriam «charters de chineses» [2].

Esta globalização do espectáculo futebol faz com que cada clube tenha os melhores jogadores que consegue ter e ganhar o mais possível que esse grupo consiga. Surge aqui a discussão do melhor clube. Será o melhor clube o que tem os melhores jogadores? O que consegue jogar um futebol mais bonito? O que consegue ganhar mais jogos e mais provas?
Acontece que os jogadores são humanos, sofrem lesões, têm momentos de fadiga, sofrem traumas psicológicos e emocionais. Existem uma bola, um relvado, adversários, que pregam um conjunto de «partidas», transformando o certo em incerto, permitindo que o inesperado aconteça. Todos nos perguntamos (principalmente quando está em causa o clube das nossas emoções), por que aquela bola bateu no poste e não entrou e a do adversário parecia que ia para fora e entrou. Coisa dos «deuses» ou de «sorte e azar», porque isso justifica melhor a nossa insatisfação. Mas no futebol existem imprevistos previsíveis, mas que não são sempre analisados. No atletismo, os recordes de velocidade e de especialidades como o dardo, peso e saltos só são homologados depois de avaliada a velocidade do vento, porque se sabe que interfere. No futebol e no remate, por exemplo, o jogador não sabe a velocidade do vento, quando muito gere a direcção, mas todos sabemos que a velocidade do vento interfere com a trajectória da bola e pode fazer diferença entre o golo e a defesa.

Em clubes que podem ter os melhores jogadores e as melhores técnicas de trabalho, estes factores são esbatidos, porque os jogadores trabalham para tirar proveito da resistência do vento, dando um arco e uma rotatividade à bola, aproveitando o chamado efeito «Magnus» [3]. Como é sabido, o Ronaldo, o Beckham e outros famosos treinam em túneis de vento, para que no jogo possam gerir essa condicionante.

Para quem não pode analisar cientificamente estes aspectos, resta trabalhar mais e mais e fazer a sua análise do que está a acontecer. Quem remata quinhentas vezes faz melhores remates do que quem remata dez, porque percebe como gerir melhor todos os factores; e, na sua essência, é o cérebro que avalia e calibra o pé na hora do remate, pelo que a concentração do momento é determinante para traduzir no remate todo o trabalho de perícia que foi desenvolvido no treino.

O Real–Barça é um daqueles jogos que tem tudo para ser um grande espectáculo. Tem «artistas», tem emoção e é um excelente negócio. É um espectáculo que só está ao alcance dalguns, mas que muitos podem trabalhar no sentido de atingir.

Eu aderi voluntariamente, vi, analisei, emocionei-me e não me arrependi…

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