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Consultório da Ria

A defesa e a imunidade

Por Carlos Lima

O corpo humano tenta continuamente manter o equilíbrio, neutralizando a actividade de microorganismos causadores de doença — chamados de patogénios (bactérias, vírus, toxinas, parasitas e substâncias estranhas e alérgenos). Quando temos capacidade de combater uma determinada doença, dizemos que temos resistência a essa doença; mas, quando não temos — ou perdemos — essa capacidade, dizemos que estamos susceptíveis a essa doença. A nossa resistência pode ser geral — e dizemos que é inespecífica —, ou pode centrar-se num patogénio — e dizemos que é específica.

A imunidade inespecífica utiliza um conjunto de estratégias, que começam pela utilização de factores de barreira, como é o caso da pele e das mucosas; de factores mecânicos, como os cílios e pêlos; de mecanismos de lavagem, como é o caso da saliva e das lágrimas; e de factores químicos, como o ácido gástrico e as secreções vaginais.

Este tipo de imunidade produz agentes antibacterianos, para quando os patogénios conseguem passar as barreiras criadas pelos mecanismos referidos. O corpo humano produz mais de vinte substâncias identificadas como tendo funções antibacterianas, como é o caso da lisozima, presente na saliva e nas lágrimas. Já para os vírus, produz interferão, que impede os vírus de passar duma célula a outra, tentando, desta forma, limitar a doença — e consegue-o na maior parte das situações, restando um pequeno grupo de vírus para os quais a sua acção é limitada, mas ainda assim capaz de retardar a sua propagação.

O organismo recorre também a um conjunto de células exterminadoras naturais, que têm a capacidade de matar uma variedade de agentes invasores, que conseguem ultrapassar as barreiras protectoras. Estas células estão presentes no baço, na medula óssea, nos gânglios linfáticos e no sangue.

Outro mecanismo de imunidade inespecífica é a fagocitose, prerrogativa dum tipo de glóbulos brancos [1] (os leucócitos granulares e os macrófagos) que se encarrega de atacar, destruir e «comer» uma gama variada de microrganismos e corpos estranhos, que invadem o corpo.

A inflamação é caracterizada por quatro sintomas: rubor ou vermelhidão, dor, calor e edema ou inchaço. A reacção inflamatória é uma forma de isolar e de delimitar a acção do agente invasor.

A resposta inespecífica socorre-se ainda da febre. É desencadeada por infecções bacterianas, pelas toxinas por estas produzidas e por vírus. A subida da temperatura corporal visa impedir o crescimento e a multiplicação dos patogénios e acelera algumas reacções corporais, que auxiliam o combate à infecção e a reparação das áreas afectadas.

A imunidade específica é o processo pelo qual o corpo identifica um agente agressor (antigénio) e cria uma resposta (anticorpo), que permite identificar e combater de imediato esse agente invasor específico, num próximo contacto.

A imunidade específica desenvolve-se de diversas formas: imunidade activa naturalmente adquirida, imunidade passiva naturalmente adquirida, imunidade activa artificialmente adquirida e imunidade passiva artificialmente adquirida.

A imunidade activa naturalmente adquirida é a que é desencadeada pelo contacto com o agente e em que, no primeiro momento, a pessoa desenvolve a doença, ficando então imune para o resto da vida. A maior parte das doenças víricas, quando não nos matam, tornam-nos imunes.

A imunidade passiva naturalmente adquirida é aquela em que podemos beneficiar da imunidade doutra pessoa, como é o caso da imunidade oferecida pela mãe ao bebé [2], através do leite materno [3].

A imunidade activa artificialmente adquirida é aquela que resulta da vacinação. A vacina coloca-nos em contacto com o agente inactivado, com partes do agente ou com moléculas artificiais do agente, levando a que o corpo produza anticorpos específicos para aquele agente.

A imunidade passiva artificialmente adquirida é a situação em que a pessoa recebe soro com anticorpos específicos provindo de fonte externa, para combater a doença — por exemplo, o soro antitetânico.

Como podemos ver, o nosso corpo tem uma capacidade fantástica para nos defender, mas nós também temos a obrigação de ajudá-lo, quer pela higienização do corpo, em particular das mãos, quer pela adopção dalgumas medidas que impeçam a propagação dos agentes infecciosos.

Saúde!

11 comentários a “A defesa e a imunidade”

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