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A tampa da sanita e o homem ideal

Por Gustavo Martins-Coelho

Um curioso facto da vida dos quartos-de-banho públicos é que há sempre mais sanitas e urinóis (no caso dos masculinos) do que lavatórios para as mãos. Portanto, os construtores de quartos-de-banho lá terão concluído que há mais gente a fazer as suas necessidades do que a lavar as mãos. Também há, habitualmente, mais lavatórios do que saboneteiras, ou dispensadores de toalhetes e secadores de mãos. Pela mesma ordem de ideias, conclui-se que lá deve haver mais gente a considerar as mãos devidamente lavadas depois de passadas somente por água, do que a fazê-lo com sabão; e suponho que nem toda a gente saia do quarto-de-banho com as mãos secas. Que nojo!

Nunca percebi por que as mulheres implicam com a posição da tampa da sanita depois dum homem a usar. Ao fim e ao cabo, o homem é confrontado com o mesmo problema que a mulher, mas em sentido inverso: a tampa da sanita não está de feição às suas necessidades (excepto se se tratar de levar um castor a passear) quando chega ao quarto-de-banho. Então, por que hão-de as necessidades femininas ser inexoravelmente satisfeitas, mas não as masculinas? Talvez seja a isso que chamam negociação, para a qual tantos especialistas em relações humanas sempre chamam a atenção: em havendo desacordo, o casal conversa, negoceia e chega a um entendimento — a vontade da mulher prevalece.

Mais justo seria o homem passar a deixar a tampa para baixo e a mulher passar a deixá-la para cima.

A implicância com a tampa da sanita é mais uma das muitas coisas que não compreendo nas mulheres [1]. Mas, pelo menos, já lhes descortinei o maior anseio. Todas querem ter um homem bonito, interessante e sensível, que seja um bom partido. Quando o conhecem, tornam-se grandes amigos. Secretamente, acham-no sindicalista. Ele é o confidente perfeito, aquele em cujo ombro ela chora as mágoas que lhe calham na sorte dos homens que não quer, por quem se apaixona.

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