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Consultório da Ria

A divisão celular

Por Carlos Lima

O corpo humano renova-se constantemente. A cada segundo, perdem-se e criam-se milhares de milhões de novas células [1]. O processo de substituição das células obedece a dois processos: divisão celular somática e divisão celular reprodutiva.

O processo de divisão celular somática consiste na divisão duma célula mãe em duas novas células idênticas, ou células filhas. Elas carregam a mesma carga genética da célula mãe e garantem o crescimento e a substituição das células que envelhecem ou são perdidas — por exemplo, numa ferida.

Para uma célula se dividir é necessário que o seu núcleo se divida em dois, por um processo chamado mitose, que lhe permite manter o mesmo número de cromossomas. É no núcleo da célula que se encontra a informação genética que permite à célula desempenhar o seu papel diferenciado no nosso corpo. Depois da divisão do núcleo, dá-se a divisão do resto da célula (citocinese) e, finalmente, temos duas novas células.

A divisão celular reprodutiva tem, como o nome indica, a função de criar as células reprodutivas, o óvulo e os espermatozóides, os quais têm metade dos cromossomas da célula normal, pelo que este processo, chamado meiose, cria quatro novas células, por cada célula mãe. O óvulo e o espermatozóide precisam de se unir o seu oposto para serem activadas [2].

Nem todas as células corporais são capazes de se reproduzir. Por exemplo, as unhas crescem ao longo de toda a vida, mas só as células que se encontram na base da unha (o leito ungueal) são capazes de se reproduzir e de fazer crescer a unha. Em oposição, os glóbulos brancos são capazes de se duplicar rapidamente, para mais facilmente combater as infecções. Podemos dizer que existe um conjunto de células indiferenciadas, ou células estaminais, que, quando activadas, são capazes de se duplicar e diferenciar, para desempenhar as funções que o corpo precisa.

Em todas as células humanas existe um gene oncogénico, que tem particular importância no processo evolutivo, mas, ao ser activado por certas substâncias mutagénicas, pode desencadear algumas alterações que conduzem ao cancro. O cancro, na sua essência, é a reprodução de células alteradas, que acontece, regra geral, de forma descontrolada e muito mais rápida que a reprodução de células normais.

As principais causas de cancro são ambientais: a Organização Mundial da Saúde [3] estima que 60 a 90% dos cancros são causados pelas chamadas substâncias cancerígenas. Por exemplo, substâncias como os hidrocarbonetos presentes nos cigarros e nos combustíveis estão associadas ao cancro do pulmão, enquanto a radiação ultravioleta está associada ao cancro da pele. Os vírus e algumas bactérias são responsáveis pelos restantes cancros, pois utilizam o nosso processo de duplicação de ADN [4] para produzir o seu próprio ADN, ou seja, produzir novos vírus e novas bactérias. Mesmo quando conseguimos controlar a doença produzida por eles, podem deixar vestígios no nosso ADN, que, com o tempo, podem criar alterações genéticas mais ou menos visíveis.

A divisão celular é um processo complexo, que nos permite crescer e renovar as nossas células e o nosso corpo, ou seja, permite-nos mudar de corpo várias vezes ao longo da vida. Mas, como nem todas as células têm a capacidade de se duplicar, quando estas começam a ser menos do que as células que se perdem, começa o processo de envelhecimento. Os hábitos de vida saudáveis e uma alimentação adequada ajudam-nos a manter este equilíbrio por mais tempo.

Saúde!

2 comentários a “A divisão celular”

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