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Consultório da Ria

As emoções

Por Carlos Lima

Todos nós temos momentos de grande exaustão e momentos de grande alegria e felicidade. As emoções são a estratégia que nos permite exprimir o que nos vai no pensamento, quer no nosso consciente, quer no nosso inconsciente. Quando essa emoção é vista como positiva, é extremamente importante para nos ajudar a viver os momentos de grande carga emocional negativa.

Claro que todos temos, nalgum momento da vida, emoções que nos carregam as baterias e momentos que nos deixam de rastos. Quando se vivem momentos de doença e de morte de pessoas de quem gostamos, que nos ajudaram a crescer, a ser pessoas melhores, melhores profissionais, que nos educaram para uma vida mais completa e conseguida, sentimo-nos profundamente tristes; essa tristeza assume um papel reestruturador no nosso modo de estar, de ser e de saber. Como o povo diz e com razão, «só passando por elas». Só sentindo é que somos capazes de entender o quanto significa, para cada um, o que se passa consigo perante as situações. São disso exemplo a doença própria, de familiares ou amigos, em que a pessoa se sente atingida muito profundamente e equaciona a sua existência em função do que está a sentir e a viver. Estas situações e a vivência de situações de morte fazem-nos reflectir sobre a própria existência, sobre a força interior que nem acreditávamos ter e sobre o que será o dia seguinte.

Por outro lado, existem momentos de profunda alegria — «lágrimas de alegria» — e esses momentos são de tal forma intensos que nos impulsionam a continuar. São disso exemplo os pais que, vivendo nove meses de ansiedade [1], explodem de alegria ao primeiro choro do bebé [2]: para a mãe, a dor do trabalho de parto [3] passa no instante e abre-se um sorriso de orelha a orelha. São disso exemplo o atleta da maratona, que parecia já não conseguir dar mais um passo, mas que, ao passar a meta, ainda arranja a força interior para procurar a bandeira e dar uma volta a sorrir e a festejar. São disso exemplo os jogadores que, mesmo a acabar o jogo, marcam o golo da vitória e correm mais a festejar o golo do que correram para marcá-lo, porque a carga emocional não os deixa parar. Activam-se dentro de nós forças que nem nós acreditávamos possuir.

Há depois um conjunto de emoções que podem saltar da esfera individual para a vivência colectiva, em que a partilha dos mesmos afectos leva a que o objectivo alcançado, ou não alcançado, tenha um impacto colectivo, que é expresso de forma colectiva. São disso exemplo as conquistas, ou não conquistas, das colectividades de que somos sócios ou simpatizantes, sejam elas desportivas, políticas, profissionais ou socioeconómicas.

As grandes conquistas da vida são obtidas pela preparação ao longo de muito tempo, passam por uma aprendizagem e mesmo pela gestão das emoções, mas são os momentos que nos afectam mais fortemente que mais influenciam a nossa forma de ser e de estar, porque a nossa aprendizagem é feita através da nossa inteligência emocional.

Se gostamos de nós, se queremos continuar a existir e a viver, temos absoluta necessidade de nos emocionarmos: a forma como expressamos essas emoções é que faz de nós seres individuais.

Saúde!

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