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Ópio do povo

Por Ana Raimundo Santos

Die Religion… Sie ist das Opium des Volkes [1]

A crónica de hoje é escrita enquanto católica; por isso, aos que não são apenas posso pedir desculpa e prometer que, daqui a quinze dias, o tema não será o mesmo.

Quem me conhece sabe, porque não escondo — nem tenho por que esconder —, que sou católica e que gosto de ir à missa ao domingo — sempre que consigo, saliente-se.

Por motivos que não importa agora referir, a minha educação católica foi interrompida após a primeira comunhão. No entanto, a vontade de lhe dar continuidade sempre existiu dentro de mim, até que, há poucas semanas, fui inscrever-me, para iniciar a preparação para o sacramento do Crisma.

Confesso que, na primeira reunião, ia um pouco expectante do que iria encontrar. Será que as reuniões se limitam ao ensinamento do catecismo? Haverá alguém da minha idade? Será que me vou sentir à vontade?

Só posso dizer-vos que saí de lá com o coração cheio e a alma confortada.

A reunião foi muito mais do que eu poderia imaginar e — não — não se limita ao simples ensinamento do catecismo. É muito mais do que isso: aquelas hora e meia ou duas horas são uma forma generosa e altruísta de dar e de receber e são momentos de partilha de experiências e de auto-conhecimento.

A verdade é que muitos dos que nos apresentamos como católicos nem sempre temos a capacidade de olhar para dentro de nós e de perceber, de facto, o que é ser católico, o que é escolher a fé cristã. Depois de ouvir aquelas três pessoas falarem, foram mais as dúvidas do que as certezas que encontrei dentro de mim.

Nesta reunião, aprendi duas coisas fundamentais, que sei que me acompanharão ao longo do caminho, ao qual agora estou a dar início, e, se Deus quiser, para o resto da vida.

Aprendi, em primeiro lugar, que o Crisma é a tomada de consciência e a confirmação do batismo. Sendo também uma escolha livre, é uma escolha que faço com a consciência plena de que a quero para mim e não apenas porque é a consequência dum caminho que alguém escolheu por mim. E isso conforta-me a alma.

Aprendi também algumas das coisas nas quais consiste escolher a fé católica; e deixem-me dizer-vos que é difícil fazer essa escolha e cumprir tudo o que a compõe, porque somos humanos e, como tal, imperfeitos. Mas acredito profundamente que é da conjugação de pessoas imperfeitas que podemos ser melhores.

Este caminho que iniciei recentemente está a ser iluminado pela Fraternidade Missionária Verbum Dei [2], a quem agradeço do fundo do coração a entrega com que conduziram a reunião, e que acredito que estará presente nas 27 que se seguem.

Dizem que a religião é o ópio do povo [1]. Se é, ou não, não sei, mas sei que na fé se encontram pistas de valor inestimável para a vida do dia-a-dia. Pelo menos para mim!

3 comentários a “Ópio do povo”

O caminho que podemos escolher é sempre o melhor para nós, e se a “alma” fica fortalecida com a serenidade que nos faz bem, então esse só pode ser o caminho a seguir…

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