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Precisamos de políticos, mais do que nunca

Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Em Junho de 2012, a Grécia elegeu para o governo os partidos da oposição, anti-austeridade, apesar (ou talvez por causa) dos apelos em contrário da chanceler alemã. Foi a única resposta à ingerência alemã nos destinos da Grécia, visto que, de resto, as posições em prol da austeridade imposta pelos germânicos à periferia europeia pouca resistência tiveram.

Os políticos europeus parecem estar a adoptar as feições de tecnocratas, ou a ser substituídos por eles, muitas vezes de forma não muito diferente dum golpe de Estado. Porém, o próprio eleitorado parece favorecer esta ascensão da tecnocracia.

Mas é neste momento que mais precisamos de políticos: pessoas que consigam lidar com os imperativos a curto prazo, sem esquecer a perspectiva de longo prazo. Porém, para defender a política, precisamos de mudar a forma como fazemos política.

Uma ideia inusitada é o governo apoiar as iniciativas políticas de cidadãos, bem como o mutualismo. Outro papel a desempenhar pelo governo é incentivar a descentralização e a resposta local às necessidades das pessoas. São também necessários novos mecanismos, capazes de reduzir a diferença entre ricos e pobres, por exemplo através de contas financiadas directamente pelo indivíduo e pelo Estado.

Todas estas ideias têm um ponto em comum: trazer a política de volta às pequenas questões que interessam verdadeiramente às pessoas, bem como às grandes questões do nosso tempo: envelhecimento, voluntariado, etc.

É preciso reafirmar a política como peça fundamental para o progresso e o desenvolvimento no século XXI e reverter a tendência anti-política actual, que fortalece o tecnocrata e enfraquece o eleitor comum.


Nota:

a: O artigo original pode ser lido no The Guardian [1].

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