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Quadro mágico

Por Carlos Lima

Os treinadores de bancada, quando olham para um jogo colectivo, têm sempre a paixão e um quadro mágico, que conduz a uma estratégia vitoriosa.

O treinadores de campo têm esse quadro mágico para distribuir as peças pelo campo, mas nem sempre as coisas correm conforme planeado.

Nos jogos colectivos, o factor individual é muito importante e decisivo no resultado final. Quem não se lembra do jogo do Sporting com o Maribor [1], em que uma má decisão e uma carambola isolaram um jogador adversário para fazer o empate a um golo, a poucos minutos do fim, impedindo uma vitória que parecia certa e que seria justa? Alguém consegue prever esse acontecimento, num jogo?

O que o treinador de campo sabe está contido no seu trabalho semanal e é o que lhe dá mais garantias, em relação ao adversário que se vai defrontar — isto, se for possível estudar cada elemento da equipa e do adversário em profundidade. Alguém tem dúvidas de que é essencialmente aí que reside o principal sucesso do José Mourinho [2]?

Ibrahimovic [3] afirmou [4]:

— Mourinho é muito inteligente. Ele não trata todos da mesma maneira. Sabe como abordar os jogadores de forma individual, para retirar o melhor de cada um.

É o próprio Mourinho que afirma [5], relativamente aos relatórios da observação dos adversários:

— Pretendo uma informação curta, objectiva, de tal forma que, quando me chega essa informação, sei o que tenho de trabalhar. É claro que é a sua inteligência, juntamente com a inteligência dos jogadores com quem trabalha, que faz com que saia, a maior parte das vezes, vitorioso.

Desta forma, o treino semanal tem muito mais eficácia, se se direccionar para anular os pontos fortes do adversário e aproveitar os seus pontos fracos, sempre sem esquecer os próprios pontos fortes e as próprias fragilidades. A nível profissional, é imperioso que assim se faça; já ao nível amador, esta atitude está muito condicionada, ou é mesmo inexistente.

Para os treinadores de bancada, o trabalho ao longo da semana não existe e é idealizado de forma sempre optimizada para todos os jogadores, acreditando que vão responder sempre da mesma forma, porque existe o quadro mágico, em que todos são excelentes intérpretes — e só aceitamos que falhem, quando a equipa ganha.

Para os treinadores de campo, o quadro mágico chama-se campos de treino e de jogo, chama-se departamentos, chama-se salas de estudo, chama-se quartos de estágio, chama-se vídeos, etc., para que a interpretação dos jogadores seja a que melhores garantias possa oferecer, no rectângulo do jogo.

O sucesso duma equipa constrói-se com trabalho, ainda que, ocasionalmente, apareça a magia, como foi o caso do golo do Nani, frente ao Maribor, em Alvalade [6].

Isto é o jogo: é emoção e causa emoções.

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