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Consultório da Ria

O fósforo

Por Carlos Lima

Pela origem da palavra, «fósforo» vem do Latim e significa «luz brilhante», pois, na presença de oxigénio, reage e produz luz, como é o caso do fogo-de-artifício. No entanto, o fósforo só se encontra na natureza sob a forma de fosfato, incluindo no corpo humano. Mais de 85 % é encontrado no osso [1] e nos dentes [2], como fosfato de cálcio; o restante encontra-se dentro da célula [3], envolvido no mecanismo energético de produção de trifostato de adenosina (ATP) [4], na regulação do pH e na composição do ADN [5] e da membrana celular. Nesta, o fósforo junta-se aos lípidos, formando uma membrana, que também é conhecida como membrana fosfolipídica.

É ingerido através da alimentação e eliminado pela urina e pelas fezes.

A sua regulação é efectuada pelas hormonas paratiróides [6] e pela calcitonina [7], influenciando a deposição de fosfato de cálcio no osso ou removendo-o do mesmo: quando os fosfatos estão baixos no sangue [8], as hormonas da paratiróide estimulam o osso a libertar fosfato de cálcio e assim subir o fosfato e o cálcio [9] no sangue. A calcitonina produz o efeito contrário, depositando os fosfatos de cálcio no osso.

A falta de fosfato tem vindo a ser associada à qualidade de vida das pessoas, pois aparece relacionada com a senilidade e com as doenças degenerativas do sistema nervoso. A nível do osso, a perda de densidade, ou osteoporose [10], deixa o osso mais frágil e aumenta o risco de fracturas e está também relacionada com a falta de fosfato.

A hipofosfatemia é uma baixa dos valores de concentração de fosfato no sangue (abaixo de 2,5 mg/dl). Pode estar relacionada com o mau funcionamento das glândulas paratiróides [6], a insuficiência renal, o uso continuado de diuréticos, a desnutrição, o alcoolismo ou queimaduras graves. As manifestações ou sintomas dependem da gravidade da situação, podendo ser fraqueza muscular, nos casos ligeiros; descalcificação óssea ou osteoporose, nos casos prolongados; e confusão mental, coma e morte, nos casos graves.

A hiperfosfatemia é uma concentração superior a 4,5 mg/dl de sangue. A eliminação renal é tão eficaz que só na insuficiência renal grave é que aparece — e a diálise não é muito eficaz na remoção dos fosfatos. Os sintomas são raros, mas a elevação de fosfato no sangue faz baixar o cálcio, e ocorre descalcificação óssea, para compensar essa diminuição. Também pode aparecer aterosclerose grave, pela cristalização dos fosfatos nas paredes dos vasos sanguíneos, impedindo o sangue de passar e desencadeando enfartes ou AVC.

O fósforo está presente nas lâmpadas fluorescentes. Respirar os vapores libertados pelas lâmpadas quando se partem é extremamente tóxico. O fósforo para acender o lume teve origem na presença do fósforo mineral, mas hoje em dia, devido à estabilização que exigia, já praticamente não é usado.

A alimentação equilibrada fornece quantidade suficiente de fósforo: a presença de alimentos ricos em fósforo, como o leite e os seus derivados, a carne de bovino, as ervilhas, os nabos, os vegetais de folhas verdes e o chocolate negro, é suficiente para que o fornecimento seja adequado.

O fósforo aparece no nosso organismo sob diversas formas de fosfatos; algumas são muito benéficas, mas outras combinações podem ser nefastas. A alimentação é fundamental para a manutenção dos valores normais.

Saúde!

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